Chapter Text
Nanami não viu nenhum dos seus antigos colegas por mais de um ano desde que abandonou oficialmente a sociedade Jujutsu e ele estava francamente muito bem com isso. Mas como o universo provavelmente definitivamente tinha algo contra ele, então é claro que uma maldição de grau especial tinha que surgir no prédio ao lado do seu trabalho e é claro que o feiticeiro designado seria o Gojo Satoru e é claro que ele seria pego no fogo cruzado e precisaria da ajuda da Shoko para se livrar de uma técnica amaldiçoada irritante. Só que como já havia sido determinado anteriormente, o universo o odeia, então Shoko está do outro lado do país em uma convenção muitíssimo importante (mais importante do que a sua situação inofensiva,embora irritante) logo não poderia ajuda-lo imediatamente. E é claro que ele precisaria de supervisão caso a situação se agravasse e é claro que o irritante Gojo tinha que se oferecer para hospedá-lo e ele seria forçado a aceitar, afinal, não havia mais ninguém. Tudo isso o levou até ali, parado na frente de uma casa de família surpreendentemente normal, com um grande quintal e um lindo e bem cuidado jardim. Gojo havia dito que era sua casa, Nanami estava desconfiado,não era exatamente o tipo de lugar que ele associaria ao homem. Novamente, ele e o universo tinham algum tipo de rixa então obviamente as surpresas não acabariam por ali, porque quatro crianças saem da porta da frente no momento em que eles atravessam a barreira de proteção — francamente insana que ele nem tentaria começar a desvendar — e se agarram a Gojo com a confiança de quem fez aquilo milhões de vezes antes, tagarelando rapidamente umas sobre as outras. Bem, nem todas as crianças, o garoto e uma das gêmeas — a de cabelos negros — que completava o trio de garotas, ficaram parados um pouco mais distante, comicamente mau-humorados. O menino até tinha os bracinhos cruzados e um olhar solene que não se encaixava no rosto infantil.
Talvez o mais inacreditável fosse que Gojo nem mesmo piscou para o ataque, claramente esperado, aceitando graciosamente as mãozinhas agarradas à sua roupa. Até mesmo seu infinito abaixado para recebê-los.
— Já conheceu as crianças, nanamin?
Sorriu divertido em sua direção e ele segurou um resmungo, tanto pelo apelido ridiculo tanto quanto porque o idiota sabia que não, Nanami nunca tinha ouvido falar daquelas crianças e não fazia ideia de onde teriam vindo. Mas sob o peso do olhar dos quatro seres em miniatura e do fato de que Gojo não ia aceitar aquilo como resposta, suspirou e respondeu cansado, verdadeiramente preocupado com a resposta:
— Você sequestrou essas crianças, Gojo?
As crianças em questão soltaram risadinhas com a pergunta e o homem levou a mão ao peito em afronta o encarando ofendido.
— É claro que não, nanamin! São meus filhos.
Ele abraçou os ombros das duas garotas mais próximas como que para comprovar seu ponto e as meninas gargalharam. A outra garota bateu com a palma na própria testa e o menino negou veementemente. Nanami encarou a cena igualmente incrédulo e aterrorizado com a ideia de que Gojo pudesse se reproduzir. Estava tão fora de si que quase perdeu as apresentações que o homem fez.
Mimiko, a gêmea de cabelos negros. Nanako, a gêmea de cabelos loiros. Tsumiki, a garota de olhar gentil. E Megumi o único e mais mau-humorado garoto.
Ele abre a boca, pronta para perguntar novamente de onde vieram as crianças, porque ele se recusa terminantemente a acreditar que Gojo tenha se reproduzido — ignorando a questão das idades — mas ele já perdeu a atenção do homem que agora está completamente focado nas crianças.
— E onde está o pai de vocês?
Ah, e lá está… Nanami quase suspira de alívio com a menção de um pai. Ótimo, ele ainda não sabe qual a relação de Gojo com a família, mas pelo menos não são dele-
— Papai Suguro está assassinando a caixa do supermercado.
E o universo o ataca novamente.
Toda a sua visão de muito se distorce e se estabiliza novamente em um plano disforme. Na última vez que Nanami ouviu falar de Geto, o homem havia deserdado da sociedade Jujutsu e se tornado um usuário de maldições depois de dizimar uma vila inteira. O que era a vida dele para que ele estivesse ali agora, em uma casa adorável com Gojo Satoru de todas as pessoas, cercado por um grupo de crianças que chamavam o Geto de pai?
— Ele não estava sendo procurado?
Sua boca se moveu sem que ele tivesse escolha e uma voz surpreendentemente monótona saiu de seus lábios, cinco pares de olhos se voltaram para ele e Gojo soltou uma risadinha.
— Os anciões revogaram isso.
Ele piscou, surpreso e perplexo.
— Não parece algo que eles fariam.
Nanami sabia que não era o único a achar os olhos de Gojo enervantes, mas também nunca havia encontrado um motivo genuíno para aquilo até aquele momento e podia dizer com certeza que nunca mais queria ver aquele olhar sombrio no rosto do homem, tornando aqueles olhos ainda mais assombrosos.
— Eles não tiveram escolha.
Ele não perguntou mais nada.
