Chapter Text
Namjoon respirou fundo, fechando os olhos e contando até dez nas três línguas que conhecia. Um exercício simples que aprendeu com sua mãe. Ele podia visualizar o rosto da mulher. Sorriso de covinhas assim como o seu, cabelos negros e curtos, alguns fios brancos pela idade.
Quase podia sentir o cheiro dela ali, jasmim, suave e floral, acalmando seu coração. Ele sorriu, contando novamente em uma língua que estava aprendendo.
Quando Namjoon abriu a porta, alguns olhos viraram em sua direção. Ele agradeceu por estar usando os bloqueadores de cheiro. Um sorriso aguado pintou seus lábios, ele se curvou de forma desajeitada e seguiu para seu lugar.
Era seu primeiro dia no escritório. Namjoon havia se formado na faculdade não fazia nem um mês, mas algumas empresas já estavam de olho em seu extenso currículo.
Namjoon se acomodou em sua baia, ligou seu computador e enquanto esperava a máquina ligar, ele tirou de sua bolsa algumas decorações para sua mesa. Um retrato de seus pais, um pequeno vaso com um cacto e um borrifador cheio. Um pop do leão Ryan e alguns post-it coloridos. Um porta lápis que ele recheou com os diversos lápis e canetas.
Quando o computador ligou, sua mesa tinha uma aparência mais de… Lar.
— Namjoon-ssi? — Namjoon sobressaltou sobre sua cadeira, levando uma das mãos ao peito antes de olhar para o homem que lhe encarava, agora com visível preocupação.
— Sim? — ele sentia seu coração bater mais rápido, até mesmo sentia o cheiro amargo de pêssego queimado.
— Sou Kim Seokjin, sou seu supervisor. Poderia vir até minha sala? — Namjoon assentiu, levantando-se e fazendo uma pequena reverência.
Seokjin sorriu e se virou, seguindo pelo pequeno corredor. Agora, um pouco mais calmo, Namjoon pôde notar que além da sua baia, havia mais cinco ali, fora a sala de Seokjin que ficava ao fim do corredor.
Todos estavam em seus lugares e mal deram uma segunda olhada enquanto a dupla passava, Namjoon ficou de certa forma aliviado, até a porta do supervisor fechar as suas costas.
— Não precisa ficar preocupado, Namjoon-ssi — Seokjin sorriu, sentando-se em sua poltrona, atrás de uma mesa branca e bonita.
Namjoon, inconscientemente, relaxou, sentando-se de frente para Seokjin. Ele olhou em volta, tranquilo o suficiente para para poder analisar a sala do homem mais velho. Era grande, uma parede repleta de livros em prateleiras suspensas. Na outra, alguns quadros de obras de Surrealismo preenchiam o espaço vazio.
A parede na qual Namjoon estava de frente era rosa. Um rosa vibrante que dividia espaço com a janela que ia do chão ao teto. Alguns diplomas emoldurados e medalhas. Namjoon ficou impressionado.
— Bem, Sr. Kim. Gostamos muito do seu currículo, todos ficamos muito felizes de ter você em nossa equipe. — Namjoon se sentiu quente por toda a admiração que recebia, ele sorriu, inclinando o corpo em agradecimento.
— Muito obrigado, SeokJin-nim, também fico muito feliz de ter sido aceito pela Meraki Consulting. — desde que entrou na faculdade, essa era a empresa dos sonhos de Namjoon, sempre acompanhando seus resultados por sites especializados, ele queria fazer parte da equipe que faria a mudança no mundo corporativo.
— Você sabe que recusou propostas muito melhores para vir para cá, não sabe ?
Namjoon parou, os olhos arregalados, ele não esperava essa pergunta. Engoliu em seco, as palavras se mexendo em sua mente como pequenas estrelas procurando sua constelação, buscando significado e verdade para o que queria dizer.
— Sim, eu sei. — Bem, Sr. Kim. Gostamos muito do seu currículo, todos ficamos muito felizes de ter você em nossa equipe. — Namjoon se sentiu quente por toda a admiração que recebia, ele sorriu, inclinando o corpo em agradecimento.
— Muito obrigado, SeokJin-nim, também fico muito feliz de ter sido aceito pela Meraki Consulting. — desde que entrou na faculdade, essa era a empresa dos sonhos de Namjoon, sempre acompanhando seus resultados por sites especializados, ele queria fazer parte da equipe que faria a mudança no mundo corporativo.
— Você sabe que recusou propostas muito melhores para vir para cá, não sabe ?
Namjoon parou, os olhos arregalados, ele não esperava essa pergunta. Engoliu em seco, as palavras se mexendo em sua mente como pequenas estrelas procurando sua constelação, buscando significado e verdade para o que queria dizer.
— Sim, eu sei. — ele tentou, viu Seokjin arquear a sobrancelha, a pergunta estampada antes de ser pronunciada. — Mas eu queria estar aqui. Eu acompanho os projetos da empresa desde meu segundo ano na faculdade. Li os relatórios publicados, os estudos de caso, as entrevistas dos líderes dos departamentos... — ele sorriu, um pouco envergonhado. — Acho que até mais do que deveria.
— É mesmo? — a pergunta veio com um sorriso contido, porém olhos brilhantes e curiosos.
— Sim. Muitas empresas conseguem gerar lucro. Muitas conseguem crescer. Mas a Meraki sempre pareceu preocupada em criar algo que permanecesse. — Namjoon respirou fundo, organizando as ideias que se atropelavam em sua mente. Ele nunca havia sido particularmente bom em explicar sentimentos; números e conceitos costumavam ser mais simples. Ainda assim, queria que suas palavras transmitissem exatamente o que sentia. — Quando pesquisei o significado da palavra "meraki", descobri que ela fala sobre colocar uma parte de si mesmo naquilo que faz.
“Não apenas concluir uma tarefa ou atingir um objetivo, mas deixar sua alma, seu cuidado e sua paixão no processo. — Seus dedos se apertaram discretamente sobre o colo, enquanto procurava a melhor forma de traduzir pensamentos que carregava havia anos. — E foi isso que eu enxerguei na empresa. Nos projetos que acompanhei, nos resultados que li, nas entrevistas que assisti. Sempre tive a impressão de que a Meraki não buscava apenas soluções eficientes, mas soluções que realmente significassem algo para as pessoas envolvidas. — Ele sorriu, um pouco tímido ao perceber o quanto estava falando. — Acho bonito quando alguém cria algo que continua gerando impacto mesmo depois de terminar seu trabalho. E... — As palavras pareceram mais leves quando finalmente encontraram saída. — Eu queria fazer parte de um lugar que acreditasse nisso também. Porque, no fim, eu não quero apenas construir uma carreira. Quero construir coisas das quais eu possa me orgulhar daqui a muitos anos. E a Meraki sempre pareceu ser o tipo de lugar onde isso é possível.”
Quando finalmente termina de falar, o silêncio se instaura, não de forma pesada e opressora, mas contemplativa. Namjoon desvia o olhar, olhando através das janelas. O prédio da Meraki é alto, 15 andares e eles estão no topo. Entre a silhueta do supervisor e os reflexos do vidro, ele encontrou um pedaço de céu. As nuvens se moviam devagar, e por um segundo aquilo o ajudou a organizar os pensamentos.
Ele voltou a olhar para Seokjin, o homem mais velho tinha o rosto levemente corado e os olhos pareciam vidrados em Namjoon. Ele se sentiu tímido, e tentou sorrir, sem saber o que deveria fazer ou pensar naquele momento.
— Ótimo. Vamos para a sala de reunião. Quero que conheça o restante da equipe. — Seokjin bateu com ambas as mãos na mesa, quebrando aquele energia que Namjoon não conseguiu descrever.
O coração de Namjoon voltou a acelerar. Conhecer pessoas novas nunca havia sido um problema; o verdadeiro problema era sua inexplicável capacidade de fazer ou dizer algo constrangedor nos primeiros cinco minutos de qualquer interação.
— Certo.
