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Encarando o perigo - Loquinha

Summary:

Um dia que era para ser tranquilo para Lorena Ferette e Eduarda Fragoso, fazendo coisas de casal é interrompido quando Paulinho pede um favor para Juquinha. O que era para ser um simples favor para um amigo quase coloca a vida das namoradas em risco.

Work Text:

Era mais um dia normal na cidade de São Paulo. Como Juquinha não tinha plantão, ela e Lorena combinaram de passar a tarde juntas, começando por um piquenique no Parque do Ibirapuera assim que a detetive terminasse uns inquéritos que apareceram de última hora.
No entanto, a herdeira Ferette resolve fazer uma pequena alteração nos planos. Como não estava aguentando mais ficar na galeria Damatta sozinha — Maggye havia saído com Júnior, Kasper e João Rubens foram visitar um cliente e Lucélia felizmente também estava fora — optou por chamar um Uber até a delegacia em vez de esperar a namorada buscá-la.
Na sala só havia Juquinha e um estagiário trabalhando. A detetive estava tão concentrada na papelada na sua frente que quando ouviu alguém na porta só respondeu para entrarem automaticamente, sem nem olhar quem era. Porém, ao sentir aquele perfume reconheceu na hora.
—Muito ocupada, detetive Juquinha? —pergunta Lorena dando um sorriso charmoso e se aproximando da mesa da namorada.
—Um pouquinho, mas pra você, Lorena Ferette, sempre tenho tempo. —levanta-se e lhe dá um selinho rápido antes de puxá-la pela mão e a guiar para se sentar na cadeira que era de Paulinho e que agora havia sido puxada para sua mesa para que o casal se sentasse perto.
—Tudo bem eu vir aqui, né? —Lorena pergunta agora se sentindo insegura.
—Amor, claro que sim. —Juquinha se vira para ela entrelaçando suas mãos. —Adorei a surpresa. —trocam mais um beijo rápido.
—Que bom, porque eu estava morrendo de saudades de você e não aguentava mais esperar.
—Eu também estava morrendo de saudades. Só mais 15 minutos pra eu terminar esse inquérito e a gente já sai, ok? —Lorena apenas assente.
Lorena ficou ali rolando o feed nas suas redes sociais, enquanto fazia companhia para a namorada, que conseguiu terminar tudo antes mesmo do tempo previsto. Saem de mãos dadas em direção ao estacionamento da delegacia prontas para o seu date.
Estavam conversando e ouvindo música no carro quando o som é interrompido no navegador do veículo avisando que uma ligação estava chegando.
—Fala, Paulinho.
—Juquinha, sei que você tem planos hoje, mas preciso de um favor. — a voz do homem preenche todo o automóvel. —Pode buscar a Gerluce na Arminda e levar ela direito pra casa da Viviane? Elas querem falar sobre um novo plano pra desmascarar a Fundação Ferette e eu agradeceria se você pudesse participar dessa reuniãozinha por mim.
Juquinha segura na mão de Lorena assim que Paulinho fala da Fundação. Sabia que a mais nova não se dava bem com o homem e não tinha nada a ver com os pecados daquela família, mas ainda assim não era uma situação fácil para nenhuma delas. Juquinha queria não estar investigando a família de sua namorada, mas infelizmente, não tinha escolha. Estava apenas fazendo seu trabalho e sabia que Lorena entendia.
—Porra, Paulinho… Você quer mesmo que eu vá lá na Chacrinha? Você sabe como eles tratam policial lá…
—A gente vai sim, Paulinho. —Lorena intervém na conversa.
—Lorena… Oi… —diz Paulinho agora um pouco sem graça. —Eu não pediria se não fosse importante. Estou em uma missão fora da delegacia hoje… Você sabe, Juquinha.
—Tá legal, a gente vai. —responde Juquinha simplesmente.
A ruiva muda a rota e faz o trajeto para a Aclimação. Ao chegarem na porta da mansão, a detetive fica esperando a mulher do lado de fora, enquanto Lorena fica dentro do carro.
—Gerluce! —chama e acena assim que a mulher passa pelo portão.
—Oi, Juquinha. Paulinho acabou de me avisar que você viria me buscar hoje. —se abraçam rapidamente antes de Gerluce abrir a porta e se sentar no banco de trás. —Oi, Lorena. Desculpa atrapalhar o encontro de vocês.
—Que isso, Gerluce. Você não atrapalha em nada. —Lorena a tranquiliza.
As três foram conversando o caminho todo. Como a distância entre os dois bairros era considerável, aproveitaram para falar amenidades e colocar o papo em dia. Felizmente, por ainda não ser horário de pico, o trânsito estava fluindo e chegaram até alguns minutos mais rápido.
Ao pararem no destino, Gerluce se despede e desce primeiro do carro e já vai entrando na casa de Viviane. Lorena desce logo em seguida, mas fica parada do lado de fora esperando pela namorada. Nenhuma delas percebe a caminhonete azul do bando de Bagdá passando na rua naquele momento.
—Ih, que que tá rolando ali? —questiona Vandilson.
—É polícia. —constata Alemão assim que veem Juquinha colocando a arma na parte de trás da calça e escondendo rapidamente antes de dar as mãos para Lorena e entrarem na casa. —O que será que a Viviane tá fazendo com polícia na casa dela?
—Bora avisar pro chefe. Ele já deixou bem claro que polícia não é bem-vinda aqui na área. —Vandilson dá partida no carro e seguem para a casa de Bagdá.
Lá dentro, as quatro mulheres estão sentadas conversando, enquanto bebem um café recém passado por Vivi. Discutiram várias ideias para trazer justiça para os doentes da Chacrinha que já haviam sido tão prejudicados pelas falcatruas da Fundação e quais seriam seus próximos passos.
—Vocês sabem que estamos de mãos atadas, né? Temos ordens de cima para não dar prosseguimento a essa investigação. —explica Juquinha já no final da reunião. —Mas, extraoficialmente, podemos reunir as provas sobre as falcatruas da Arminda e do Ferette e expor. Só que eu e Paulinho não podemos fazer isso.
—É, eu sei. Tá fora da jurisdição de vocês, né. —diz Gerluce
—Teria que ser algum de vocês. —completa Juquinha.
—E por expor você quer dizer jogar na mídia? —questiona Viviane.
—Isso. Aí teríamos que achar algum jornalista corajoso o suficiente pra divulgar a história.
Falaram por mais alguns minutos até que o casal se despede, agora finalmente rumo ao Parque do Ibirapuera. Saem da propriedade, mas antes de chegarem ao seu veículo — que estava estacionado bem em frente — são surpreendidas.
—As patricinhas estão perdidas? —Bagdá se aproxima de forma bem ameaçadora, sendo seguido de perto por seus capangas que começam a cercá-las também.
Juquinha instintivamente coloca seu corpo na frente do de Lorena, enquanto a outra mão vai para a parte de trás da calça — onde estava sua arma — mas não a saca. Sua preocupação naquele momento era desescalar a situação e tirar Lorena dali.
—Viemos ver uma amiga e já estamos indo embora. —a policial responde simplesmente.
—Já falei que não quero polícia na minha área.
—Eu não vim aqui prender ninguém. Só vim visitar uma amiga.
—Só viemos ver a namorada do meu irmão. Só isso. —Lorena tenta se explicar deixando o nervosismo bem aparente na sua voz.
—Cala a boca que não te perguntei nada. —Bagdá aponta a arma que antes estava balançando para Lorena o que irrita Juquinha.
—Não vim aqui prender ninguém. Pra falar a verdade, Bagdá… —faz questão de frisar o apelido do bandido com bastante deboche — eu tô cagando pra você. Só viemos ver uma amiga e agora você vai sair da frente e deixar a gente ir embora.
Bagdá se irrita e coloca a arma bem debaixo do queixo de Juquinha.
—Pelo amor de Deus, Bagdá! O que tá acontecendo aqui? —Viviane e Gerluce saem desesperadas de dentro da casa.
—Vai… Atira… —Juquinha provoca se aproximando e fazendo o cano da arma pressionar ainda mais seu pescoço. —Eu não tenho medo de bandido.
—Eduarda, por favor… —Lorena diz já desesperada.
—Bagdá, ela não é só policial. Ela também é filha de gente importante. —Viviane chega mais perto para que só ele pudesse ouvir. —Se algo acontecer com elas não vai ser só a polícia que vai aparecer aqui. Você vai tá morto antes mesmo do sol nascer.
—E daí? Nesse nosso meio a gente não vive muito. Uma hora ou outra eu vou ter que morrer.
—É, mas não precisa ser agora né, Bagdá… —Gerluce também tenta argumentar.
O chefe do tráfico reflete por alguns segundos antes de se afastar.
—Vaza! —Lorena começa imediatamente a tentar puxar Eduarda pela mão que não se move. Apenas fica parada encarando o bandido com ódio. —Não quero polícia na minha área. Só vou deixar passar dessa vez por consideração a Vivi.
Juquinha dá a volta — ainda com os olhos cravados no bando — e senta-se no banco do motorista.
—Uma coisa eu vou ter que concordar com Santiago Ferette. Que lugar horroroso. —Lorena reclama assim que entrou no veículo.
—O problema é esses bandidos. Os coitados dos moradores não merecem isso. Juro, que no dia que prenderem esse marginal vou fazer questão de participar. —dá partida no carro e saem dali.
O casal decidiu que estava sem clima para um piquenique no Ibirapuera e foram passar o dia na casa de Juquinha.
Juquinha digita o código na fechadura eletrônica e deixa Lorena entrar primeiro. Não haviam falado uma palavra para outra desde que saíram da Chacrinha e o silêncio estava começando a incomodar a ruiva.
O apartamento de Juquinha era bem espaçoso com janelas que iam do chão ao teto — permitindo a entrada de bastante luz natural — com uma decoração bem moderna, com a sala de estar e cozinha integradas em um conceito aberto. Um pequeno presente de seu pai já que o salário de policial jamais permitiria pagar um lugar como aquele.
—Nunca mais faz isso de novo. —Lorena diz sendo a primeira a quebrar aquele silêncio, com uma mistura de medo e raiva, mas mantendo a voz firme. —Você poderia ter morrido.
Juquinha respira fundo, se aproxima puxando-a pela cintura delicadamente e colando seus corpos.
—Me desculpa. —diz com a voz suave, quase sussurrando. —Eu só queria te tirar dali. Nem pensei no que pudesse acontecer comigo e pra falar a verdade eu nem ligava contanto que você estivesse segura.
Ficam com os rostos colados por um tempo, apenas sentindo a respiração uma da outra.
—Agora, que tal a gente fazer esse piquenique ali na varanda mesmo? —Eduarda tenta apaziguar o clima mudando de assunto e arrancando um sorrisinho discreto de Lorena.
—Vamos lá, então.
As duas vão para a varanda que lhes dava uma vista privilegiada da cidade de São Paulo, principalmente pelo fato do apartamento estar localizado em um andar bem alto.
As duas comem enquanto conversam e trocam carícias. Entretanto, Eduarda ainda percebia que sua namorada estava abalada.
Começa primeiro distribuindo beijos pelo pescoço da mais nova.
—Quer ir pro quarto? — Eduarda sussurra levando os lábios até o ouvido da mais nova.
Lorena não responde de imediato. Apenas virá seu rosto para a detive e a beija. Um beijo longo que demonstrava que o desejo era recíproco.
As mãos de Eduarda vão para dentro da blusa que Lorena estava usando naquele dia, causando aquele arrepio gostoso, enquanto aprofundavam mais o beijo. A ruiva agora posicionava seu corpo ficando por cima da mais nova.
O casal fica trocando carícias e mais beijos ali na varanda antes de irem para o quarto — onde fazem amor — e esquecem as últimas horas daquele dia.
FIM