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História Pequeno Universo - Capítulo 1 - História escrita por DanyAili - Spirit Fanfics e Histórias

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Era madrugada, e já via perdido a conta de quantas vezes acordara para verificar como as três mulheres da sua vida estavam. Não estava sendo fácil este terceiro mês e o questionamento sempre retornava a sua mente. Estava sendo um bom marido para Rin? Seria um bom pai para suas filhas? Rin mal conseguia descansar e ele por mais que tentasse, se sentia deslocado ali entre elas. Como explicar os ciúmes que sentia quando Setsuna parava de chorar quase instantaneamente quando saia de seu colo e ia para seu irmão, Inuyasha? Como explicar a sensação de desolação que sentia quando Towa se aconchegava a Jaken e parecia sempre desconfortável em seus braços? Como mudar a sensação que fizera tudo errado ao não conseguir apoiar Rin adequadamente enquanto se virava para atender as demandas das gêmeas?  

Ficara louco de alegria quando soubera que, em seu primeiro ano de casamento, Rin lhe dera a notícia, seriam pais. E o misto de medo e desespero quando Sesshoumaru descobriu que seriam duas crianças. Ele ainda sentia o seu passado o assombrar quando destilava seu preconceito por mestiços sobre seu irmão e agora, seria pai, de hanyous, não de um e sim de dois. Seria capaz de defender seus filhos de pessoas como ele fora no passado? 

Força, poder e dinheiro não seriam problemas, mas se os filhos viessem a descobrir como era no passado? Esse reconhecimento machucava mais do que encarrar mais de mil yokais, como de repente se sentia desamparado com a possibilidade de seus erros passados refletirem em seus filhos, como os erros de seu pai até hoje perseguiam a ele e seu irmão. 

Ele agora tinha a quem proteger, era seu orgulho como daiyokai, ele era mais forte por elas. Pelo menos era o que pensara até ouvir os gritos de Rin ao dar à luz as suas pequenas princesas e sentir que seu poder não era nada e não poderia fazer nada para aliviar sua jovem e bela esposa além de esperar e a cada grito, ele se sentia mais indefeso do que nunca em toda a sua vida lembrava-se de ter se sentindo assim. 

Quando os choros ecoaram naquela noite pré eclipse, ele lembrou como respirava. Ela estava bem e iria conhecer seus filhos. A surpresa ao descobrir as duas pequenas menininhas enroladas ao lado de sua esposa que mostrava um sorriso cansado, porém orgulhoso, ela conseguiu, ela era mãe de duas meninas. E ele era pai. 

Uma palavra tão curta e com tanto significado agrupado a ela. 

Ele deveria cuidar, prover e ser um exemplo, como seu pai fora para ele no passado, mas e se não conseguisse? 

Sesshoumaru levantou nessa madrugada novamente com esses pensamentos ecoando em sua mente, estava sendo um bom pai para suas filhas? Pela reação delas a sua presença, estava se sentindo péssimo. Ele não estava conseguindo. Dera uma olhada novamente para as gêmeas adormecidas ao lado da mãe depois de terem sido trocadas e alimentadas. Seu maior tesouro, sua maior força e também sua maior fraqueza. 

Towa estava se mexendo, ela era a mais inquieta das duas, e que caso continuasse iria acordar, não só sua mãe como sua irmã. Observava a pequena inquieta com a dúvida, deveria a pegar? Ela estava quase saindo da cama e em breve iria desperta se não fizesse algo, lembrando-se de como Rin as vezes se aninhava em seu mokomoko e uma ideia veio, por que não tentar. 

Com o cuidado de quem segura um cristal delicado, Sesshoumaru segurou a pequena em seus braços, evitando fazer movimentos que pudessem despertar Rin ou Setsuma. Tão pequena, tão delicada, será que conseguiria cuidar devidamente dela? A manteria segura em quanto vivesse e iria garantir que conseguisse se defender quando fosse necessário, mas agora ela era apenas seu bebê. Sem que esperasse, os olhos pequeninhos se abriram, meio sonolentos, mas pareciam demostrar reconhecimento.  

Ele encarou de volta. Diziam que era a mais parecida com ele por causa da cor de seus cabelos brancos, mas ele só conseguia ver Rin em sua filha, os mesmos olhos arredondados e inocentes de sua amada esposa. Mãozinhas inquietas começaram a se agitar em direção a seu rosto, causando curiosidade. O que será que ela tentaria? Aproximou o rosto para poder observar melhor a pequena quando a mesma conseguiu segurar uma mecha de seus longos cabelos prateados. Como se comemorasse o feito, Towa soltou uma gargalhada sonora que causou admiração ao seu pai. Era a primeira vez que ela não chorava ao reconhecer que estava com ele e não com sua mãe, era um dos seus raros sorrisos reservados para ele. 

Ele sorriu de volta. Foi involuntário, apenas retribuiu o sorriso, automático, quase imperceptível, mas que demostrava todo amor que tinha pelo pequeno ser em seus braços. 

- Precisa ficar quieta se não quiser acordar sua mãe. - Sussurrou para o bebê sorridente e brincalhão. - Vamos sentar aqui. 

Enquanto preparava o mokomoko, como se fosse um pequeno ninho para depositar a pequena, quase que como se tivesse sido atraída pela ausência de sua outra metade, Setsuna resmungou, com pequenos gemidos era vez de a caçula acordar.  

Sesshoumaru, olhou para a pequena em seu colo como se não soubesse o que fazer direito até que lembrou das vezes que viu Rin com as duas pequenas, uma em cada braço. Meio desajeitado, acomodou Towa de um lado e Setsuna de outro. Enquanto Towa continuava agitava, Setsuna achava mais interessante comer suas mãos, mas também não chorou ao reconhecer que estava no colo de seu pai e não de sua mãe. 

Sesshoumaru saboreou o momento, ele estava com as filhas, pela primeira vez sem choro. Era um sentimento novo que o preenchia, todos os medos que o assombravam e o fizeram despertar pareciam desaparecer conforme sentia o peso e o calor de suas filhas em seus braços. Olhou para o pequeno ninho improvisado e desistiu de as depositar ali, não queria perder o calor recém adquiro e preferiu puxar o mokomoko como uma coberta sobre suas filhas em seu colo, enquanto se mantia sentando observando as pequenas interações entre as duas. 

Tão belas e pequeninhas. Setsuna tão calma, mas procurava sua metade agitada. Aos poucos, foram se aconchegando em seu peito, e sentia a mudança sutil na respiração. Estavam novamente ficando sonolentas. Como Rin fazia nesses momentos? Ela cantarolava. 

Ele arriscou, primeiro um ruido baixo, quase que se apenas respirasse e aumentou o tom aos poucos, a cantiga era a que Rin muitas vezes cantava desde criança e agora cantava para suas filhas e ali estava ele, repetindo o cantarolar, a velha canção que estava tão presente em sua vida, assim como suas filhas e sua esposa.  

Não sabia por quanto tempo ficou assim ou quando exatamente elas dormiram, mas essa noite, seu coração estava preenchido por todo amor que aprendeu a sentir por Rin e agora se estendia as pequenas criaturas em seus braços. Voltou a si apenas quando sentiu, braços suaves que envolveram seu pescoço e o perfume que não conseguia mais ficar sem o atingiu. 

Não precisavam falar, apenas esse gesto e esse toque era suficiente para que toda cumplicidade ocupasse o espaço que restava entre eles e esse espaço era todo o mundo que precisava, seu universo particular que não dividiam com mais ninguém, eram uma família, a sua família e não precisava mais de terras, domínios, títulos ou espadas, ele tinha tudo que precisava ali. 

- Senhor Sesshoumaru... - O daiyokai se deleitava com a voz de sua amada ao sussurrar seu nome. - Obrigada por tudo e feliz dia dos pais... - Ele olhou intrigado, dia dos pais? O que era isso? Não foi preciso que perguntasse, pois, a jovem percebera a confusão em seu rosto e tratou de explicar. - Os humanos tem uma data que celebra os pais e como já passou de meia noite, então já estamos nela.  

O yokai sentia a respiração da jovem junto ao seu rosto enquanto falava, ele estava encantado com a breve descoberta. Estava cheio de emoções que o jovem Sesshoumaru desprezava e agora, o tornavam completo. Ajeitando as pequenas em seu colo de forma que conseguisse as segurar apenas com um dos braços, deixando outro livre para puxar sua esposa para um beijo casto nos lábios e deixando após que sua testa tocasse a de sua esposa antes que a aconchegasse junto a si, assim como as filhas. Era seu universo todo em seus braços, o motivo de sua vida toda ali e agora entendia o que seu pai sentia quando falava de sua família.  

Ele agora tinha algo para proteger e por isso seria capaz de mover céus e terras, mas agora, nessa noite pacata, ele apenas sentia-se feliz pois tinha uma esposa e mais do que isso, era o pai de suas filhas, adormecendo junto delas satisfeito pois agora era realmente completo.