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Fleeting Memories

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Dinheiro apenas para uma passagem. Esconder nas bagagens era tão entediante, mas valia a pena para viver em outro planeta com ele.  Tão distante de tudo e eu pensando ser timidez ou desconforto por estar entre tantos estranhos, mas, estava tão ligada no relacionamento e nas promessas para perceber qualquer outra coisa. Só falou uma vez com o casal que conheci no “esconderijo”, o minúsculo verde com hélices na cabeça e o maior parece uma pelúcia, branquinho. Na verdade, nenhum deles falam. O menor se comunica por sons engraçados.  Julguei muito cedo. A moça na foto do relicário do grandão é namorada real. Outra vez tenho que dormir chorando, mais uma bronca para conta.  Por que tenho que pedir permissão toda hora sendo que nem sempre você está perto? Quando acordo, estou sozinha no bagageiro. Melhor eu me apressar para conseguir ver se você está no corredor, preciso apenas das minhas roupas no meio dessa bagunça. Espera. Uma roupa de tamanho maior?

— Já não disse para não mexer nas minhas coisas?

Você me deixa sozinha e encontra com outras, hein!? — berrei para todo o corredor — De quem são as meia-calças!?  Vim só com a roupa do corpo, não me segura! Abro esse armário e acabou!

Tem mais alguém a bordo, e são várias pelo jeito. Sempre dei satisfação de tudo e você me cortando quando menciono algo seu.  Encheu de regras, mas, quem tem a ficha suja pelo jeito é você. Sei que uma hora os guardas farão ronda! Você é o pagante com direito de fazer o que quiser, a clandestina sou eu. Na sua cabeça deve funcionar assim, é como quer e chega.  A outra escondida no armário, manobra clássica! Ela exageradamente encorpada, usava maquiagens fortes e tinha uma pinta no canto inferior do rosto. As roupas muito chamativas. Você saindo engatinhando como um cachorro travesso é tão ridículo, Butter. Comigo, é um rabugento e agora com ela você tem medo?

É essa aí quem te persegue? Que tipo, hein. Ele é meu servo, agora suma da minha vista. Sua coisa insignificante!

Isso foi a gota d’água para mim.  Nossa briga apenas acabou quando atraímos a atenção de um guarda patrulhando os arredores, curiosos que se amontoavam e enquanto rolávamos corredor a baixo batemos em alguém, foi como pinos de boliche.  Durante o interrogatório, notei o guarda dando mais atenção para você do que outra coisa, não está pensando em suborná-lo, certo? Bom, não importa mais, você e a outra mostraram as fichas e ela correu! Antes que eu pudesse pensar em roubar a ficha dela, quando o guarda não estiver olhando! Butter, você comprou?  Envolvido com contrabando. Sua chefe ou cliente, qualquer raio que você a chame. Tem uma lábia e tanto, foi convincente como alegou ter investido todas suas economias neste ingresso. 

— Por favor, deixa ele viver! Atira nela!

Estão te defendendo, que ótimo. Você acabou de confessar que me convenceu a entrar na bagagem e sai como vítima. Querem que apenas eu seja punida? O criminoso aqui é você! Se bem que o guarda apenas está cumprindo seu dever, é justo.   Assim que o mesmo dispara, meu corpo todo se desintegra. Eu deveria saber, após uma série de relacionamentos fracassados não havia garantias de que você seria o tal Bom Partido. Agora sou apenas estes lindos orbes amarelos que desaparecerão logo. Agradeço imensamente por não fazer parte da Elite e não poder bancar um novo corpo. Só esta liberdade é suficiente. Imagina mudar a aparência, ainda carregar as lembranças inclusive toda essa humilhação. Agora é a vez delas. Pelo menos levo comigo a verdade e os adoráveis novos amigos. Toda dor tem um propósito, não é?