Actions

Work Header

Presente Incomparável.

Work Text:

Se arrependimento matasse...

O riso amargo escapou de seus lábios cheios, por certo ele morreria de velhice! Não, não estava de fato arrependido da vida que levava, apenas chateado de passar o dia de hoje sozinho. Recusara o baile e não oferecera qualquer banquete, e por que o ofereceria? Para vê-se cercado de hipócritas que cobiçavam seu status?

Melhor a fiel solidão, à adúltera amizade dos nobres!

Se a dez dias atrás ele soubesse que Jing teria um “compromisso inadiável” a antevéspera de seu aniversário, por certo ele teria deixado a mansão para regozijar-se no interior das montanhas com seus irmãos, mas como poderia prever que seria negligenciado justo nessa data?

35 anos... E ele se tornara uma lenda! Não havia em toda Datong uma única conversa maliciosa que não questionava como era possível que a “concubina masculina” do imperador ainda ser capaz de monopolizar a atenção do supremo governante mesmo tendo já passado dos 30! Não havia precedentes para tal fato. O mais comum era que já houvesse sido trocado por alguém mais jovem ou cometido suicídio para se preservar na memória popular como uma visão de beleza jovial.

Bem verdade que seu corpo esculpido por treinos árduos ainda exibia belas formas, seus músculos ainda eram firmes e definidos, sua pele lisa ainda era macia e flexível, suas feições bonitas não mostravam qualquer ruga, mas já não possuía o viço de seus 20 anos...

Quanto tempo mais lhe restaria? 5, 3, um ano? Jing ainda lhe era um amante fervoroso e o lugar de imperatriz continuava vazio, todavia as concubinas no harém cresciam em número ano após ano, assim como os filhos do Imperador, já não eram 12 os príncipes e princesas? E quanto a ele? O que lhe restaria no fim?

O olhar perdido explorava o céu estrelado, mesmo tendo jurado a si mesmo que não mais pensaria naquilo, a dúvida de estimação não desapareceu por nenhum dia sequer. Xuan Yuan Jing ainda o amaria quando a velhice chegasse? Ele nunca conseguiu imaginar o arrogante imperador amando um homem velho...

Um pensamento amargo se sobrepôs às lamentações antigas. Em sua mente via Jing desnudando-se em um leito perfumado para amar um bonito aprendiz de alguma seita marcial. O sabor do vinagre* lhe subiu a boca, mas infelizmente aquilo poderia estar acontecendo nesse exato momento, não? Jing não lhe era fiel, afinal, embora ele, Lu Cang, fosse como uma devotada e casta esposa.

Resignado ele havia decidido se embriagar e dormir. Deixou a janela para apanhar a jarra de vinho deixada com antecedência na mesa próxima a suntuosa cama, mas antes que o vinho chegasse aos seus lábios a porta de seu quarto foi subitamente aberta revelando a razão de seu infortúnio.

Parado por um breve instante no limiar, como uma figura etérea em requintadas vestes brancas, o rosto de beleza incomparável ostentava um olhar faminto e um provocativo sorriso diabólico.

— Jing?

— E quem mais ousaria invadir seu recanto íntimo no meio da noite?

O rosto de Lu Cang se iluminou e sem perceber praticamente correu para os braços daquele homem, mas estancou brutalmente os passos ao notar a figura estranha parada dois passos atrás de Jing.

Ignorando a expressão aturdida do amante, o Imperador invadiu o cômodo puxando pela mão outra pessoa.

— Esta é Xue YuJie — conduziu suavemente a mulher para a frente de Lu Cang, que sem saber o que fazer se limitou a observar a curiosa figura em um rico vestido cor de rosa. Ela deveria ser apenas um chi* mais baixa que Jing, sob o tecido fino as formas elegantes e lúbricas se apresentavam em contraste com o ar de pureza, sugerido pelo véu de seda que velava a identidade da dama ocultando-lhe o rosto.

Tomando-a pela mão Jing a fez dar uma volta completa em torno do próprio eixo como que para exibi-la para o amente e como ação final retirou o véu revelado o rosto de beleza exuberante: A tez alva como jade estava tingida de um rubor casto que lhe acrescentava um charme virginal que parecia querer destoar do brilho dos cabelos negros presos parcialmente por um grampo de ouro, sedutores e cheios lábios carmesins e belos olhos de coloração exótica.

Estonteado, Lu Cang não podia deixar de pensar que aquela mulher parecia uma fada, embora a estranha semelhança entre ela e o Imperador Jing Zong* lhe perturbava de maneira devastadora.

Percebendo a inércia de Lu Cang o Imperador se pôs a provocar deliberadamente o ciúme no outro:

— Bela, não?

— Belíssima — respondeu entre os dentes, sentindo o coração afundar com a constatação de que jamais havia visto mulher mais bela do que aquela. Ela quase poderia rivalizar com a beleza surreal do Imperador, no entanto, e obviamente, Jing ainda era mais belo do que a dama ao seu lado.

Diante do par de encanto ofuscante, Lu Cang se sentia terrivelmente diminuído. Sua autoestima que já estava em frangalhos, fora agora totalmente pulverizada. Seria ela uma amante de Jing? E se sim, por que ele a trouxe para SUA casa? Apenas para humilhá-lo ou...

— Então, ele não é precioso? — a pergunta feita em tom orgulhoso e gentil foi direcionada a Xue YuJie.

— Sim, meu senhor, ele é deveras diferente do que eu imaginava, mas certamente precioso. — A voz lânguida era desprovida de desdém, era como se ela realmente houvesse apreciado a figura selvagem de Lu Cang.

Os cantos dos lábios de Jing se curvaram levemente para cima. Ele cruzou despreocupado o espaço do quarto e se sentou na cama convidando com um gesto de mão a mulher para se sentar em uma de suas pernas. Seu olhar afiado recaiu sobre a jarra de vinho e a tigela intocada na mesa de cabeceira. — Não é muito vinho para beber sozinho, marquês?

A suave reprimenda não passou despercebida ao ouvido de Lu Cang, que irritado não pode deixar de responder com aborrecimento flagrante na voz: — Acaso também sou proibido de beber longe de sua presença, Sua Majestade?

Jing não lhe respondeu, em vez disso fez gesto semelhante para que Lu Cang se sentasse na perna vazia assim como Xue YuJie havia feito.

A pele cor de mel tingiu-se rapidamente de carmesim.

— Por que corou, Xiao Cang? — Jing perguntou maldosamente apenas para constranger ainda mais o pobre marquês.

Ao ouvir o Imperador chamar o marquês pelo apelido carinhoso, Xue YuJie cobriu com a manga o risinho e não desviou o olhar do rosto avexado do marquês Lu.

— Você não me disse que ele era tão tímido, Jing, isso o torna ainda mais gracioso.

“Jing” o rosto de Lu Cang alternava entre o vermelho e o branco com a percepção que a bela mulher chamava o nome proibido do imperador com intimidade, quão íntimos eles eram, afinal?

Percebendo que Lu não se moveria, Jing fez com que Xue YuJie levantasse e se levantou em seguida para ir ao encontro do amante. Seus braços se fecharam em torno de um aturdido Lord Lu, suas mãos vagueavam pelas costas largas amassando a lateral até pousarem sobre as fartas nádegas dando um aperto firme ali.

— Você... — Lu Cang tentou parar a investida acalorada, mas assim que sua boca foi aberta Jing velozmente a selou usando a pequena abertura para introduzir a língua que rapidamente varreu todos os cantos daquela cavidade quente e úmida ansiosa para se entrelaçar a língua de Cang o impedindo de articular qualquer fala. O beijo duradouro e lascivo deixava o marquês vulnerável, tonto pela falta de ar, com os joelhos fracos precisando ser amparado pelo forte abraço do Imperador. Excitação e vergonha se digladiavam no âmago de Lu Cang, obviamente todo o seu corpo desejava ser empurrado para baixo de Jing, mas sua consciência lhe alertava sobre a incômoda presença de Xue YuJie.

Enquanto razão tentava inútilmente suprimir o desejo carnal suas vestes finas eram reduzidas a trapos pelo impaciente Imperador. O peito já estava completamente exposto para a vergonha de Lu Cang seus mamilos estavam sendo impiedosamente beliscados sob o toque grosseiro do outro enrijecendo em resposta ao assédio. Como uma boneca inanimada foi violentamente virado ficando de frente para a Xue YuJie que havia se acomodado em um sofá de madeira em uma das laterais do quarto.

— Veja Xue YuJie, não é sua pele mais perfeita do que a de qualquer mulher? — o tom orgulhoso da fala do Imperador fazia Cang se sentir ultrajado. Estava a ser comparado a uma mulher ao mesmo tempo em que era exibido como uma prostituta para a convidada do Imperador.

Propositalmente Xue YuJie ignorou a pequena cicatriz no peito de Cang, era visível a mácula, contudo não diminua a beleza da pele exposta. — Verdade, sua tez é realmente perfeita. Nem mesmo as “marcas de uso” o deixam menos belo, ao contrário, o faz parecer ainda mais lascivo! E vendo agora esse ar maduro e arrogante, feições bonitas e selvagens em um corpo de guerreiro, compreendo porque você tem esse tipo de fetiche, Jing gēge.

Uma enxurrada de pensamentos ruins invadiu sua mente, memórias amargas de uma década atrás fez todo o corpo de Lu Cang enrijecer, não podia crer que seria novamente envergonhado, humilhado e violentado na frente de uma mulher, não agora depois de tudo, depois que Jing o fez acreditar que havia mudado...

Como se pudesse ler os pensamentos caóticos de Lu Cang, Jing apressou-se em seduzi-lo antes que as lembranças arruinassem seus planos para aquela noite.

— Não é mero fetiche, eu realmente o amo. É claro que a princípio fui encantado por sua teimosia, agressividade, resistência e pelo seu corpo sedutor, mas no fim percebi a duras penas que eu o amava, que ele era o único que eu queria ao meu lado.

— Hã?

A incredulidade estava patente na face de Lu Cang, Jing disse que o amava? Ele nunca dizia isso! Por que dizer isso agora na frente daquela mulher? Quem era ela afinal?

— Realmente nunca pensei que veria o poderoso Xuan Yuan Jing perdidamente apaixonado — riu — Lord Lu, você é afortunado! Homens como ele tem uma obsidiana em lugar de coração, mas parece que por você essa joia pode ser carnificada.

Percebendo desconforto de Cang diante do elogio, Jing interviu:

— Não há do que se envergonhar Xiao Cang, ela sabe muito bem o tipo de relação que temos, ela está aqui como convidada de honra e minha amiga íntima. Não se sinta diminuído, eu tenho minhas razões para deixá-la me ver amando você, não será como na torre TongHua, nunca mais será daquela forma brutal, eu te dou minha palavra.

As palavras ditas em tom gentil acampadas por uma expressão solene e sinceridade ímpar naquele olhar bonito minaram os pensamentos de Lu Cang, prevendo a guarda baixa, Jing lançou mãos de seu melhor ataque. Suas mãos não deixaram de alisar em nenhum momento a pele já aquecida e exposta para si, o braço em torno da cintura estreita apertou mais o corpo contra o seu enquanto a sequiosa boca trabalhava avidamente para mantê-lo entorpecido pelo desejo.

A passos leves, Lu Cang só percebeu que estava sendo conduzido para a cama quando suas costas pousaram sobre o macio colchão. Seus olhos muito abertos se chocaram com os olhos nublados de anseio lúbrico do Imperador que não tardou em beijá-lo.

Um gemido constrangedor escapou de sua boca no momento em que Jing mordiscava a junção do pescoço. Lu Cang mordeu com veemência os lábios para impedir que mais sons como aquele escapassem.

— Não faça isso, por favor, Xiao Cang não nos prive de seus doces sons.

— Seu! ... — outra vez deixou o tom lânguido soar em sua voz, e como poderia se controlar quando seus mamilos eram caprichosamente sugados?

Beijos, lambidas e mordidas de amor se espalharam pela pele cor de mel deixando rastros sugestivos da base do pescoço até seu baixo ventre. Lu Cang sequer saberia dizer em que momento seu cinto fora aberto e suas calças arrancadas, tudo que podia fazer era permanecer entregue ao toque concupiscente dos delgados dedos que se fechavam ao redor de sua masculinidade.

Uma batida de mão e como encanto seu membro se erguera para saudar o Imperador de Datong como o mais fiel dos súditos. Jing, porém não deu a atenção que aquela bela espada merecia, antes permaneceu a marcar a pele delicada e pálida da parte interna das coxas musculosa de Lu Cang, a língua rosada serpenteava sobre o relevo do selo imperial que marcava Cang como “sua propriedade”.

— Meu. — O Imperador soltou envaidecido por ter no corpo perfeito de Cang seu nome assinalado. Daquilo Jing nunca se arrependeria. A língua insaciável deslizou pelas bolas trazendo-as para o interior da boca a fim de chupá-las como se fossem doces nêspera graúdas, ao paladar de Jing a pele de Cang era igualmente doce. Mesmo com os lábios fechados, a saliva insistia em escorrer pelo canto da boca, criando um rastro sobre a pele sensível, escorregando até o ânus umedecendo cada vez mais aquele lugar. Jing afundou o rosto entre as pernas abertas em ângulo máximo para serpentear a língua em torno daquela abertura estreita forçando gentilmente a entrada.

Lu Cang arregalou os olhos sentindo tontear só de imaginar onde o Imperador estava a lamber tão fervorosamente. Bem, não era a primeira vez que Jing lhe concedia tal favor, mas ele sempre ficava em choque ao imaginar o poderoso Xuan Yuan Jing fazendo algo tão vergonhoso. Para Jing, entretanto não havia nada vergonhoso no ato de dar prazer a seu querido ex-bandido das montanhas, ao contrário, lhe era excitante ao extremo imaginar que apenas ele era capaz de dar tal prazer ao marquês Lu Cang, se pudesse ficaria por horas ali penetrando mais e mais fundo com a própria língua, mas havia em seu corpo algo maior e melhor para esse fim.

Sem mais preparativos uma das pernas de Cang foi erguida e apoiada sobre o pálido ombro de Jing, a espada do imperador afundou-se lentamente invadindo o interior já bem umedecido fazendo Cang gritar em dor e prazer. Lentamente Jing puxava e empurrava em seu precioso amante deliciando-se com a sensação de ser acolhido em seu interior macio e quente. Para o marquês a morosidade lhe era uma tortura, melhor ser duramente fodido a ser lentamente penetrado! A resistência de Jing era sobre-humana, se continuasse assim chegaria ao amanhecer sem desfrutar uma única vez do clímax.

Com um riso diabólico nos lábios, o imperador retirou-se deixando Cang frustrado e perdido sem saber o que viria a seguir, quando Jing o virou para ficar de lado na cama, deixando uma das pernas flexionada a altura do peito para novamente o penetrar. A nova posição era confortável, porém vexatória. Nesse novo ângulo Xue YuJie tinha visão perfeita do corpo e expressões faciais do indefeso lord Lu.

A bela dama mordia os lábios sem perde de vista nenhuma reação do ex-famoso bandido conhecido como a águia: As sobrancelhas unidas, a expressão de agonia, o suor escorrendo pelo corpo másculo e amorenado tão tentador que ela sentia uma fina dor em seus seios ao mesmo tempo em que sentia sua intimidade ficando cada vez mais úmida. Era um belo espetáculo! A sensualidade crua de Lu Cang sob o domínio esmagador da sensualidade refinada e obscena de Jing Zong era de enlouquecer de desejo qualquer ser vivo. E ela não era exceção!

O aperto na cintura de Lu Cang foi fortalecido e em um movimento rápido de pura explosão muscular Jing novamente mudou a posição ficando deitado com as costas apoiadas no colchão trazendo por Cang para cima, assim as costas do marquês ficavam confortavelmente apoiadas no peito do Imperador, que se movia cada vez de modo mais lento para a frustração de Cang.

— YuJie, me dê sua faixa.

Ao ouvir seu nome, ela rapidamente ergueu-se retirando da cintura a larga faixa de seda que lhe servia de cinto. Com essa ação o vestido foi parcialmente aberto. Obediente YuJie entregou o tecido na mão do imperador e recuou aguardando um novo comando.

De posse da faixa Jing apressou-se em vendar os olhos de Cang deixando o marquês alarmado, Jing nunca o vendara antes, ele sequer permitia que ele desviasse o olhar de si! Por que isso agora? Ansioso esbravejou:

— O QUE ESTÁ FAZENDO!?

— Não grite! Poupe suas forças e apenas desfrute.

Com os olhos vendados a curiosidade explodia, todo o corpo de Lu Cang parecia mais sensível ao toque, tudo parecia ainda mais intenso! Privado da visão, ele não viu o gesto de mão dado a Xue YuJie para que ela se despisse e se juntasse a eles.

Afundado no torpor provocado pelas carícias de Jing e na ansiedade instigada pela privação do sentido, Cang não percebeu o peso adicional se movendo sobre o colchão até que uma pele macia roçasse sua coxa. Ao toque sutil ficou petrificado, então sentiu a mão suave e forte de Jing se fechando em sua masculinidade subindo e descendo de modo ritmado, porém intenso.

Apoiando um joelho de cada lado dos dois homens conectados abaixo de si, Xue YuJie mantinha as penas afastadas o máximo que podia para não tocar diretamente a pele de Cang. Colocando sua mão sobre a mão, Jing ela guiou o membro viril para sua intimidade, abaixando-se em seguida se deixando penetrar profundamente. A dama mantinha seus dentes firmemente cerrados a fim de não emitir som algum, mas ainda assim um gemido escapou.

 

Lu Cang possuía um bom membro em comprimento e espessura suficiente para preenchê-la por completo. A sensação de descer sobre aquele pilar cálido e rígido era extremamente saborosa, principalmente quando sua posição lhe permitia unir a sensação física ao estímulo visual do corpo delicioso do marquês sendo penetrado pelo Imperador.

Para Cang a percepção do que estava acontecendo era aterradora! Ele sabia claramente que havia penetrado o corpo voluptuoso da bela Xue YuJie, e embora o incito físico fosse divino, sua mente estava inquieta, afinal, não se deitar com mulheres era uma das três regras de Jing, como poderia agora ele está quebrando essa regra bem diante do próprio Imperador?

Seu corpo inteiro enrijeceu e só relaxou ao escutar a voz suave e provocativa do amante.

— Está tudo bem Xiao Cang, por favor relaxe, sim? Está me machucando apertando dessa forma.

— Você!

— Não fale, apenas aproveite a minha oferta.

Sua boca se abriu para uma réplica, mas toda capacidade de fala foi perdida no momento em que Jing golpeou aquele ponto dentro de seu interior uma, duas, várias vezes consecutivamente. Cang sentiu que poderia enlouquecer com o duplo estímulo, seu ponto mágico sendo constantemente atingido por Jing que finalmente alterou a morosidade para um ritmo satisfatório para ambos e sua masculinidade sendo engolida pelo corpo abrasador de Xue YuJie. Não foi preciso muito para que ele se derramasse com um grito de puro prazer.

Agilmente YuJie escorregou para o lado na cama fechando as penas a fim de não deixar nada sujar os amantes. Virando-se para o casal ela continuou a assistir aquela performance libidinosa.

As mãos de beleza e vulgaridade incomparáveis de Jing revistaram o torso úmido pelo suor arranhando a superfície lisa até alcançar a cintura e se fechar em um aperto para ajudar o amante a erguesse um pouco para ser mais fácil de penetrar. Ferozmente, ele empurrava e puxava agora em um ritmo vertiginoso perseguindo sua própria liberação dentro de Cang.

Ainda entorpecido pelo prazer violento, o marquês mal tinha como sustentar o próprio corpo, suas costas estavam completamente apoiadas em Jing e suas pernas tremiam pelo esforço colossal de tentar se manter naquela posição. Seu membro, porém, já demonstrava sinais de uma nova ereção. Em grande excitação Cang pendeu a cabeça para o lado deixando o pescoço totalmente exposto, vendo a área sensível tão sugestivamente revelada o imperador não se furtou em cravar os dentes mordendo e sugando a pele deixando uma bela marca que saltaria aos olhos na manhã seguinte, a essa ação impulsiva, Lu Cang só pode soltar um gemido, parte pela surpresa, parte pela dor aguda e outra pelo prazer irracional que todo seu corpo sentia.

Apenas o barulho do choque dos corpos era ouvido, os aromas dos incensos de cada um misturado juntamente com notas picantes do sexo criavam uma atmosfera densa e deliciosamente tentadora. Na meia luz, os cílios de Xue YuJie mal se moviam admirando a beleza dos corpos masculinos nus e perfeitos. De boca aberta ela assistiu o corpo de Jing retesar e sua voz sensual explodir em grito de prazer, e no momento seguinte os dois afundaram sobre o colchão, ainda ligados, suados e ofegantes.

Apenas alguns segundos de descanso e a mão delicada e forte do Imperador se fechou em torno do desejo ainda insatisfeito de Lu Cang, o movimento de sobe e desce era sutil, moroso, torturante para um Cang ansioso pela segunda liberação. A mão vaga de Jing buscou o mamilo exposto e torceu delicadamente entre o polegar e o indicador enquanto a boca não cessava de deixar marcas no ombro direito de Cang. Rapidamente a masculinidade de Jing dava sinais de recuperação avolumando-se dentro do corpo do amante.

— Céus! Você acabou de!!!

— Xiao Cang, Você ainda se surpreende com isso? — perguntou jocoso e riu divertido da expressão incrédula que ele exibia. De fato, dez anos de prática, se surpreender com desejo exacerbado era mesmo uma piada, mas era sempre assim? Desde que se conheceram não houve uma única vez em que se amaram e pararam na primeira ou segunda rodada. Na maioria das vezes só paravam quando Lu Cang perdia a consciência.

Gentilmente, Jing empurrou seu homem para o lado se retirando dele, deixando-o sem entender mais nada. Jing o forçou a se sentar e então retirou a venda que lhe cobria os olhos, os cílios escuros e volumosos tremularam e então os olhos selvagens foram novamente revelados, dada a proximidade foi inevitável que a primeira coisa que Cang visse fosse os olhos magníficos do Imperador transbordando de luxúria e um algo mais que ele não soube nominar naquele momento, a segunda coisa que seus olhos captaram foram os lábios perfeitos exibindo um sorriso diabolicamente provocante. Aproveitando que milagrosamente os longos cabelos do marquês ainda estavam presos em um rabo de cavalo alto, Jing enfiou os dedos fechando em um aperto de firme, Cang arfou pela dor em seu couro cabeludo abrindo a boca para liberar um “Ahh”, mas rapidamente esse som foi abafado por um beijo violento, impedido de falar sua língua era sugada avidamente ao ponto de fazê-lo perder completamente o fôlego e amolecer naqueles braços fortes. Ao cessar o beijo, Jing mordeu os lábios carnudos, vermelhos e agora inchados de Lu Cang que totalmente embriagado pelo beijo incendiário esquecia-se até de respirar corretamente. Satisfeito, os olhos do Imperador recaíram sobre Xue YuJie que permanecia imóvel na lateral da imensa cama.

— Você quer um pouco mais mèimei*?

O tom provocativo arrancou um riso curto da mulher e uma expressão chocada de Lord Lu que havia esquecido momentaneamente a presença de uma terceira pessoa naquela cama.

— Se permitir Jing gēge...

— Só não o beije, todos os beijos dele pertencem exclusivamente a mim.

Assentindo, YuJie engatinhou para perto de Lu Cang, que assustado recuou sendo impedido e sair da cama pelo aperto de morte que Jing afligia sobre seu braço.

— Você já entrou antes, por que está fugindo agora Xiao Cang? — o Imperador perguntou e provocou divertindo-se com hesitação do amante.

— Eu não tive escolha!

— Quer me convencer que não teria entrado se tivesse?

O olhar culpado de Cang recaiu sobre a face fingidamente entristecida de YuJie, a semelhança com Jing lhe deixava confuso, ele sabia em seu íntimo que não se excitava com mulheres, mas aquela mulher possuía sim algum poder sobre seu membro.

— Hipócrita! O pior de todos! Está em sua face que você a quer, então por que não aproveita a minha oferta e a abraça de uma vez?

— E quanto a você? — sua voz saiu tímida como um sussurro.

— Eu ficarei bem, eu quero experimentar algo, mas só será possível se você estiver nela.

Percebendo o traço de indecisão foi Xue YuJie quem tomou a iniciativa de abraçar e provocar o inseguro marquês.

— Jing sempre foi excêntrico, ele quer ver como seu corpo reage quando está por cima, não deseja dar esse gosto a ele, Lu gēge? — A voz melodiosa parecia derramar mel nos sentidos de Cang, e a ousadia da boca quente mordiscando seu lóbulo e arranhando com delicadeza seu peito atiçava sua vontade de possuir realmente aquela mulher.

Enquanto a boca habilidosa descia a extensão de seu pescoço, sua boca estava sendo novamente tomada por Jing que parecia essa noite particularmente mais disposto a tomar seu fôlego de vida como um demônio sensual de rara beleza.

O longo beijo foi apartado deixando um fio transparente escorrendo no canto da boca de Cang. Vendo aquela preciosidade Xue YuJie apressou-se em passar a língua tangendo a tentadora boca do lorde Lu. As sobrancelhas de Jing se uniram com uma expressão ameaçadora e desgostosa que arrancou um sorriso travesso da bela jovem.

— Gēge, eu não o beijei...

— Eu sei, você não ousaria, você ainda lembra como é meu temperamento, não?

— Sim eu sei o quanto és mimado e possessivo, mas não se preocupe Jing, não roubarei de teu adorado “senhor da nobreza real” os preciosos beijos que tu aprecias tanto.

Antes que a reprimenda e ameaças fosse proferida por Jing, Xue YuJie apressou em puxar Lu Cang para o meio de suas coxas.

“Para uma mulher ela é realmente forte, será que esse é o tipo de mulher que mais atrai Jing?” Lu Cang pensou inevitavelmente lembrado da princesa XiZhen com quem o Imperador era casado. Felizmente ou não ele não teve muito tempo para se lembrar da “amiga”, pois o corpo lascivo e convidativo abaixo de si movia-se de modo a umedecer sua masculinidade com o próprio fluido corporal.

Olhando para o lado viu o Imperador acariciando o próprio desejo com uma expressão impaciente e voltando os olhos para a bela mulher viu uma expressão similar. Um forte calor atingiu sua face fazendo Xue YuJie rir um pouco.

— Não precisa corar Lu gēge, basta dar a ele o que ele deseja ver e tudo ficará bem.

— E quanto a você? Está tudo bem que eu faça isso?

— E por que não estaria? És um homem lindo, qual mulher não desejaria estar sob você? Apenas venha e deixe vir. Um de seus braços passou pelo pescoço de Cang enquanto a outra mão segurou o membro quente e direcionou para dentro de si.

“Ahh” — o som do gemido de satisfação escapou dos lábios de ambos. Sem esperar um único instante Lu Cang começou a empurrar delicadamente enquanto YuJie agarrou-se a ele afundando as longas unhas na carne tenra de suas costas, resistindo bravamente ao desejo de beijar aqueles lábios apetitosos, ela só pode se conformar em beijar seus ombros fortes para não cair em tentação.

Na borda da cama Jing olhava a cena erótica com sentimentos antagônicos no peito, por um lado a visão do corpo do amante tomando aquela mulher de beleza preciosa lhe era excitante, por outro lado o vinagre lhe subia a boca apenas de ver como seu amado se comprazia no ato libidinoso com YuJie lhe deixando irritadiço.

Só de escutar a voz do seu homem naquele tom erótico, nos braços de outro alguém, o despeito amoroso fluía como veneno em suas veias, mas ele deveria suportar isso, afinal, Cang não lhe pediu tal favor, ainda assim...

Incapaz de controlar o ciúme, Jing avançou na direção dos dois, sua mão deu três voltas em torno do rabo-de-cavalo de Cang para que ele pudesse usá-lo como rédeas e afastar um pouco o corpo do amante para perto de si a fim de se afundar na entrada oculta pelas fartas nádegas. Invadir aquele corpo másculo não fora nada difícil uma vez que a penetração anterior abrandou os músculos e sêmen derramado ali lhe servia agora como lubrificante fazendo aquela imponente ereção escorregar mansa para dentro do interior aconchegante de Cang.

— Ah, isso é bom! — Mesmo que a posição não fosse a mais confortável, Jing regozijada de prazer com a rara oportunidade de ter seu homem enquanto ele tinha um outro alguém abaixo de si. Puxando os cabelos e segurando firmemente a cintura do forte marquês, Jing ditava o ritmo fazendo com que os três corpos se movessem de forma coordenada à sua vontade.

Para Lu Cang o duplo estímulo era enlouquecedor, mesmo que fosse Jing a determinar a cadência, a função ativa e passiva exercida simultaneamente fazia todo seu corpo vibrar e tremer intensamente. Para Xue YuJie o ritmo mais intenso era demasiadamente melhor, sem contar que a expressão dolorosamente prazerosa de Lu Cang o deixava ainda mais erótico, tanto que ela não resistiu por muito tempo e explodiu em um grito agudo de puro êxtase sendo a primeira a conseguir isso dos três. Sentindo a intensa contração das paredes internas se fechando sobre seu membro e sendo golpeado na parte mais profunda por Jing, Cang se derramou no minuto seguinte a YuJie, gemendo alto para o delírio de Jing que adorava ouvir aqueles sons desavergonhados que o marquês só fazia no pico de sua excitação.

Jing estancou seus movimentos incapaz de empurrar por conta do forte aperto que o interior de Cang oferecia no instante do ápice, resignado ele apenas esperou o corpo forte estremecer e cair sem forças sobre a afável YuJie.

Ainda com o desejo insatisfeito, retirou-se de Cang puxando-o para o lado para retirá-lo de YuJie. A fita que prendia os cabelos do marquês foi bruscamente arrancada pelo imperador. Os cabelos negros e sedosos se espalharam pelos lençóis de cetim vermelho criando a visão erótica do orgulhoso bandido das montanhas completamente nu, com o corpo umedecido pelo suor e outros fluidos corporais, totalmente entregue e submisso a sua vontade. Àquela visão nem o poderoso Jing Zong conseguia ficar indiferente. Apressadamente afastou as pernas de Cang posicionando-se entre elas e afundou-se naquele cálido interior.

— Xiao Cang, coloque suas pernas em volta da minha cintura — pediu, e prontamente um par de pernas fortes e bem trabalhadas se enroscou na cintura estreita de Jing, ao mesmo tempo os braços musculosos também se fecharam em torno do pescoço do imperador.

Cang se abandonara totalmente permissivo e acolhedor. Exultante Jing não se conteve e investindo violentamente contra o canal ardente sabe-se lá, por quanto tempo, até que Lu Cang atingisse o quarto ápice daquela noite, seu segundo apenas naquela posição. Seu corpo fraquejou e suas pernas ameaçavam cair para os lados, mas Jing ainda se recusava a deixar vir, prolongando o máximo possível o contato íntimo. Contudo se não liberasse agora por certo Cang desmaiaria e ele teria que fazê-lo com seu amante inconsciente ou dormir com o desejo insatisfeito, o que não era opção.

O corpo abaixo do seu dava mostras que iria entrar em colapso, a espada rígida do marquês arrogante e pulsante espremida entre os dois ventres derramou-se fazendo Jing sentir em sua pele o calor das últimas forças do amante, e só então ele liberou o jorro cálido dentro de Cang, que perdia lentamente os sentidos mal usufruindo da sensação de ter seu interior aquecido pelo prazer de Jing.

Os alvos e longos dedos afastaram com delicadeza os teimosos fios que grudaram no rosto cansado e inconsciente de Cang. O olhar direcionado àquele homem era a pura expressão de ternura, Jing não conseguia parar de sorrir, amava-o demais, embora fosse incompetente em demostrar de forma adequada e efetiva a verdadeira face de seus sentimentos. Contudo, para Xue YuJie, que assistia a tudo, esse sentimento saltava as vistas!

Silenciosamente a beleza feminina ali se retirou do leito, juntou suas vestes e deixou a mansão na liteira previamente preparada para ela com um destino que apenas o Imperador conhecia.

Alheio aos movimentos de Xue YuJie, Jing só tinha olhos para o homem amado à exaustão desacordado em seus lençóis. Abraçou suavemente puxando-o para si e também se permitiu dormir sentindo a respiração suave contra seu peito.

O sol já estava alto quando preguiçosamente Lu Cang abriu os olhos deparando-se com o rosto bonito do Imperador olhando amorosamente para si.

— Céus, já deve ser tarde! Você não tem um tribunal para presidir esta manhã? O que ainda faz no leito?

— Isso são modos de tratar seu doce amante? Nem sequer um beijo ao despertar?

Rapidamente Lu Cang selou com força aquela linda boca, pensado consigo mesmo como era fraco quando o assunto era aquela bela criatura a sua frente.

— E respondendo a sua pergunta, sim eu tinha um tribunal, mas deixei que Zheng-er cuidasse disso para mim, e eu ainda estou no leito porque estava indisposto a me levantar e deixá-lo sozinho, mesmo porque eu desejo tomar meu banho em sua companhia.

— Eu não quero.

— Não quer minha companhia?

— Meu corpo não aguenta! Fizemos muito essa noite e bem, eu já estou ficando velho. — Rui com certa amargura.

— Temos praticamente a mesma idade e eu não estou reclamando do peso da idade.

— A sua resistência não é humana...

— Isso foi um elogio? — o Imperador perguntou, e tentou abraçar seu bandido das montanhas, mas Lu Cang esquivou-se do toque.

— Por favor, eu realmente não quero, estou dolorido e sequer me lavei anteriormente e dormi com aquilo dentro de mim...

— Tudo bem, vamos apenas tomar um banho juntos, sim?

— Nunca é apenas um banho...

— Eu serei gentil, juro, apenas um banho. Faz tempo que não nadamos nus naquela piscina...

— Tempo? Não a usamos dez dias atrás?

— Então! Não é muito tempo!?

— Apenas um banho!

Jing sorriu lindamente saltando da cama com o intuito de pegar Cang em seus braços e correr como uma criança mimada e levada levando seu brinquedo favorito para a piscina, saltando completamente nu nas acolhedoras águas termais.

Surpreendentemente fora apenas um banho, um longo e demorado banho onde eles trocaram beijos e carícias enquanto ajudavam um ao outro lavar os longos cabelos e esfregar as costas em doce e desejada intimidade.

À volta para o quarto foi mais tranquila, porém Jing insistira em trazer Cang para dentro no estilo conjugal impedindo o marquês de caminhar com as próprias pernas. Embora o orgulho estivesse massacrado, Cang não poderia reclamar de tal mimo, andar na manhã seguinte a uma noite de amor com o Imperador era sempre algo desafiador para si, mesmo sendo ele um lutador altamente treinado, ainda assim era humano e tinha suas limitações.

Ao chegar ao quarto, cuidadosamente, Jing o colocou na borda do leito com o zelo de quem tratava seu mais precioso bem. Calmamente vestiram-se e pentearam-se ficando novamente apresentáveis. Cang sentia em seu corpo os efeitos de mais uma noite praticamente sem dormir enquanto Jing estava radiante como demônio que se alimentava de energia sexual, pensando bem, Cang realmente se sentia “sugado” por sua estrela aziaga. Alheio aos pensamentos do amante um sorriso travesso se fez presente no rosto bonito do imperador enquanto ele segura empolgado duas caixas de madeira.

— Eu havia pensado em ofertar a você quatro presentes, mas por um erro de cálculo meu e a dificuldade de encontrar o material certo para isso, só poderei te oferecer três mimos, espero que você se conforme com isso.

— Desde quando eu fiquei inconformado?

— Há uma primeira vez para tudo...

— Não sou tão fútil...

— Eu sei, e admiro muito essa qualidade em você. Então feliz aniversário.

O Imperador estendeu primeiro a caixinha pequena revestida de um tecido brocado com fios de ouro para o amante.

Cang desatou curioso o laço de fita de seda e destampou a pequena caixa cujo interior continha dois anéis semelhantes. Aquelas jóias chamaram em demasia a atenção do marquês, sobretudo pela simplicidade das peças. Nem de longe eram como os exuberantes anéis de ouro maciço e pedras raras que Jing usualmente exibia em seus delgados dedos, nem tão pouco como as dúzias de anéis igualmente extravagantes que Lu tinha em sua posse, Jing jamais dera a ele algo tão singelo...

Vendo o olhar confuso, Jing empolgou-se ainda mais e apanhou da caixa o anel mais enfeitado. O aro de ouro liso ligeiramente abaulado continha um fino fio de prata encastrado em seu centro assim como uma minúscula pedra de brilho magnífico, mas o que chamou a atenção de Cang foi a inscrição indecifrável entalhada no interior da peça.

— O que significa essa inscrição?

Com expressão teatral e voz de falsete, Jing respondeu fingidamente ofendido.

— Céus! Dez anos e ainda não consegues reconhecer o nome de tua esposa!?

— Seu nome? Em que língua está escrito?

— Latim, eu encomendei essas peças de um joalheiro em minha última viagem ao exterior. Ele me contou que há uma tradição no ocidente que determina que marido e mulher usam alianças como símbolo de amor e compromisso, uma vez que somos casados achei que seria bom usarmos algo que mostrasse publicamente que temos uma ligação. Além do mais seria bom que você carregasse meu nome em seu corpo...

— E já não o faço há dez anos?

— Sim, mas essa marca apenas eu conheço — Jing falou, enquanto ousadamente passou a mão na intimidade do outro descendo para tatear a cicatriz com seu nome — me dê sua mão esquerda — ordenou e foi atendido. Solenemente colocou a aliança no anelar de Cang e beijou o anel agora na mão de seu amado. — Não o tire, nunca mais.

— Não tirarei.

— Anda coloque o meu. Estendeu com a mão direita a caixa que ainda continha um anel semelhante e a mão esquerda com o anelar levemente inclinado para cima.

— Meu nome?

— E de quem mais seria?

Lu Cang riu tomado por uma extrema alegria e apressadamente colocou aquela aliança no dedo de Jing repetindo o ato de beijar o símbolo de seu amor e compromisso com aquele homem.

— Que tal beijar sua esposa agora?

Um “puft” explodiu da parte de Cang. De fato, Jing havia sido sequestrado para se tornar a esposa do rei dos bandidos. De fato, eles se casaram nas profundezas da montanha, fizeram as reverências, ofertaram um banquete e apesar do modo brutal como o casamento foi consumado, ele foi consumado. Mas ironicamente essa era a primeira vez que Cang pensava com profundidade no fato de estar casado com o Imperador. Sem perceber seus pensamentos se converteram em palavras:

— Eu te amei no momento que te vi pela primeira vez, no fundo da minha alma eu sabia que só você me completaria, e então veio à decepção e humilhação de ter sido enganado. Você nem ao menos era uma mulher — riu pequeno —, mas já era tarde, eu já havia me casado com um vilão cruel... Eu sempre acreditei que o fato de eu ser seu marido fosse uma grande piada para você, eu nunca esperei que você tivesse levado isso para o coração...

À declaração sincera, o Imperador se pôs a responder igualmente sincero.

— Eu não levava a sério nos primeiros anos. Quando eu me deixei levar para o cume daquela montanha eu queria apenas me divertir oferecendo ao bandido: “a águia”, um belo susto, uma boa surra e um castigo severo por sequestrar mulheres indefesas... Mas eu caí na minha própria armadilha e me vi seduzido pela sua aparência forte, seu ar selvagem e arrogante. Quando você beijou a minha face e eu senti o calor dos seus lábios eu fiquei tentado a fazê-lo meu de verdade... Eu tive ali a certeza que você era o que procurava para saciar minha sede de fazer amor sádico. Porém quanto mais eu bebia e te comia, mais sede e fome eu tinha de ti. E só quando percebi que estava te perdendo, e que nenhum outro me completaria, me dei conta que naquela noite os meus votos foram sinceros. Você deveria ser meu e eu seu. Se eu pudesse colocaria uma coroa sobre a sua cabeça e concederia o lugar de imperatriz a você, mas as coisas não são tão simples... Então eu só posso te dar um anel.

— O anel me basta. Estar ao seu lado me basta.

Exultante, Jing o puxou para seu abraço e o beijou profundamente. Apartando o beijo entregou-lhe a caixa alongada de madeira nobre finamente entalhada.

— Este é meu segundo presente, espero que goste, também o adquirir na viagem, pois achei que combinava muito com você.

Curioso, Lu Cang abriu a segunda caixa e se deparou com um soberbo sabre.

— Seu Kung-fu é um tanto extravagante, um sabre lhe cai melhor do que uma espada. Eu pessoalmente lhe ensinarei a manejar, então não se preocupe.

— E por que me ensinaria pessoalmente a manejar um sabre?

— Ora, por quê? Eu já não disse antes? Tenho medo que outro homem lhe assedie é só isso...

— E quem mais me assediaria além de você? — Cang sentiu vontade de se estapear ao ver o risinho petulante naqueles lábios bonitos. Por que ele sempre caia nos joguetes de Jing?

— Não posso afirmar que isso é impossível, se mesmo eu me apaixonei por você, o que impede de outro homem também cair de amores por ti? — Jing debochou da própria sorte.

— E quem ousaria tocar no “Senhor da Nobreza Real”?

— Xue YuJie não tocou?

— Sim, mas não foi por sua graça, majestade?

— Independente de ser ou não sob minha graça, ela sentiu prazer em ser sua e você em tê-la e não ouse negar.

Cang abaixou os olhos culpado.

— Eu cheguei ao ponto de precisar vendar seus olhos para que você desviasse a vista dela! Isso me magoou... Eu sempre achei que você só olharia para mim. — Jing emendou aproveitando-se do ar culpado do outro.

— E como poderia eu não olhar para ela? Você viu a face dela!

— Bonita como uma fada?

— Bonita como você! Assustadoramente parecida com você...

Um sorriso triunfante brotou nos lábios de Jing, percebendo o novo deslize Cang ficou verdadeiramente irritado consigo mesmo por alimentar o ego colossal daquele homem.

O sorriso logo se converteu em riso, e o riso em gargalhada ao notar a expressão emburrada no rosto de Lu Cang.

— Você é adorável!

— Quem é adorável!?

— Meu fofo bandidinho reabilitado...

— Hg! Se perca! — ditou incapaz de ganhar com palavras.

— Não fique assim. Eu não disse qualquer mentira. Eu realmente acho adorável quando seu rosto se tinge desse tom carmesim, seja por raiva, seja por vergonha ou luxúria — Jing terminou a fala mordendo gentilmente a bochecha rosada do marquês.

— Pare com isso, eu sou um homem feito!

— Eu também sou. E o que importa? Estamos na privacidade do seu quarto, quem pode nos julgar? E ainda que estivéssemos em público quem teria coragem o suficiente para externar qualquer insatisfação? — falou com convicção e o abraçou firmemente para confortá-lo.

— Por que ela se parece tanto com você, como isso é possível? — murmurou afundando o rosto no peito do imperador.

— Não me diga que está apaixonado por ela.

— Como eu poderia? Eu sou fiel a minha esposa — falou, provocando o orgulho de Jing.

— Ela é minha irmã paterna — respondeu friamente.

— Irmã? Eu não sabia que você tinha uma irmã...

— Tenho várias para ser franco. Mas de todas, ela é a mais parecida comigo. Mais até que Zheng-er, com quem dividi o ventre da minha mãe.

— Eu nunca tinha visto ela antes. Ela mora no palácio?

— Claro que não. Minha mãe odiava a mãe dela, eu sou filho legítimo da imperatriz e Xue YuJie filha de uma cortesã mantida por meu pai. Quando minha mãe finalmente se livrou da rival, Xue YuJie já era uma criança pequena e como ela herdou os mesmos olhos de lince que a mãe, a minha mãe exigiu que meu pai se livrasse daquela criança, e ele fez a sua vontade. Eu ainda a vi algumas vezes na infância, depois ela foi enviada para o exterior a fim de ter sua vida preservada, eu só pude encontrá-la recentemente, pois ela mudou de identidade — suspirou cansado — contudo a esqueça! Eu só permiti que se deitasse com uma mulher porque era uma data especial.

— Então no meu próximo aniversário poderei tê-la novamente? — perguntou apenas para se divertir às custas do ciúme de Jing.

— Claro que não! E quem disse que eu me referia a seu aniversário como data especial? Eu estava falando dos nossos dez anos juntos, só poderá ter uma mulher novamente nas nossas bodas de 20 anos!

Cang ficou chocado, por um lado chateado com a forma que Jing se referiu a seu aniversário como data sem significado irrelevante, mas por outro lado surpreso por notar que Jing desejava permanecer ao seu lado por no mínimo mais dez anos.

— Não faça essa cara, seu aniversário me é sim uma data importante. Mas eu tenho ciúmes de você, não quero dividi-lo com mais ninguém, entende?

— Eu sei. Mas então por que a trouxe aqui? Além do mais, se era para comemorar nossos dez anos juntos, devo lhe lembrar de que ainda falta quase um mês para essa data.

— Considere isso um crime de oportunidade. Se fosse esperar três semanas talvez eu não conseguisse retirá-la do palácio onde vive. Xue YuJie é esposa de um imperador, arrebatá-la debaixo do nariz do marido não é tarefa simples mesmo para mim.

— O que? Você... Como pôde!?

Jing riu. — Xiao Cheng e eu somos próximos, ele fez vista grossa em troca de alguns favores.

— Não me diga que você também já se deitou com seu cunhado?

— Está com ciúmes de mim?

— Não! — mentiu — Apenas acho que isso seria uma pouca vergonha!

— Um governante às vezes precisa fazer alguns sacrifícios.

— Como se fosse sacrifício para você! — ditou entre os dentes.

— Não fique bravo comigo, anda alegra-te ainda tenho um presente para lhe oferecer. Venha vamos fazer nossa refeição no salão.

A metros da porta o barulho de muitas vozes deixou Lu Cang apreensivo, o que mais o louco do Jing havia preparado para ele? Ao cruzar os portais, os olhos de Lu Cang se encheram de um brilho alegre.

— Grande Irmão! Finalmente!

Um banquete estava preparado e todos seus irmãos haviam vindo da montanha para comemorar consigo.

— Mas eu... Quando? Como? — Aturdido Lu Cang tentava entender como seus irmãos que não os via a mais de um ano estavam ali em torno de sua mesa.

— Agradeça a esse demônio real ao seu lado, foi ele quem nos obrigou a vir.

— Você? — se voltou para Jing que parecia feliz ao seu lado.

— Gostou da surpresa?

— Obrigado.

— Eu realmente tenho que sair agora, tenho assuntos a resolver, então aproveite o dia com seus irmãos. — Ao findar a fala puxou Cang para seu abraço e tomou seus lábios em um beijo apaixonado, prolongado, quente e sensual.

Os homens ficaram estáticos e mulheres coradas, algumas rindo enquanto outras cobriam os olhos das crianças.

— Sinceramente eu nunca vou me acostumar com a má sorte do nosso irmão mais velho. — Choramingou Cao Xin.

— Eu não acho que seja má sorte. O irmão mais velho é rico, mora em uma mansão e o imperador é lindo como uma fada! — externou realmente sincero o jovem Cao Yan, o irmão mais novo de Cao Xin.

Ao comentário inocente e infantil do adolescente, Cang corou violentamente, Jing por outro lado abriu um sorriso radiante que deixou o garoto incapaz de respirar por um curto espaço de tempo.

— Você é um menino gentil. — Jing comentou e afagou os cabelos do rapaz para o desespero de Cao Xin, mas antes que o irmão de seu amado pudesse expressar seu desgosto, Jing sorriu e acenou para Cang deixando o salão sem mais delongas.

Agora apenas com os irmãos reunidos no salão, o banquete seguiu entre risos, conversas e brincadeiras até tarde da noite, tornando essa uma das melhores festas de aniversário que Lu Cang teve nos últimos cinco anos.

Duas noites seguidas com Jing e um banquete oferecido apenas para as pessoas que o marquês realmente queria ao seu lado, Lu Cang estava realmente feliz.

 

Um ano depois...

Depois de um baile enfadonho, cercado por nobres hipócritas, aguentando toda sorte de provocações velada, comentários maliciosos e bajulação fingida, e de uma tórrida noite de amor nos braços de Jing amando-o até a exaustão, Cang despertava cansado e dolorido, mas feliz. Preguiçosamente olhou para o lado e se deparou com aqueles olhos encantadores, mais bonitos do que a radiante lua que brilhava soberba no céu na noite anterior, um gostoso calor irradiou em seu peito fazendo-o sorrir.

— Está feliz? — perguntou o belo imperador

— Hm, estou.

— Como se sente agora com 36 anos?

— Velho — riu.

— Algum arrependimento?

— Nenhum.

— Meu décimo terceiro filho nasceu há poucos dias, é um menino... — Comentou maldosamente a fim de avaliar a reação do marquês.

— Parabéns. — Respondeu com enfado na voz.

— Por que não sinto sinceridade na sua felicitação?

— E por que eu daria pulos de alegria?

— Você quer um filho também?

— Já brincamos disso, e por mais que eu ame possuir você, isso é algo que você não pode me dar...

— E quem disse que eu não posso lhe dar?

— Jing...

— Então quer tentar mais uma vez?

— Ohh então esse é meu presente?

— Quer ou não quer? — perguntou já desatando a faixa da cintura deixando seu corpo bonito à mostra.

Cang não respondeu com palavras, mas as mãos firmes seguraram a cintura estreita puxando Jing para seu colo e beijando-o lascivamente.

Jing esfregava-se como um gato faria nas pernas de seu dono, os movimentos lânguidos e o olhar predatório faziam o imperador realmente parecer um grande felino de pele macia.

Lu Cang ainda estava nu e sentindo o calor daquele que ele considera o corpo masculino mais perfeito que já vira em sua vida, logo mostrou uma majestosa ereção.

— Não imaginava que depois da noite que tivemos você se mostraria tão bem-disposto logo de manhã, se eu soubesse...

— Tenha um pouco de honra, Imperador, e receba em ti o que semeaste em mim.

Cang sabia que Jing gostava de ficar por cima, mesmo quando era ele a ser penetrado, mas hoje ele não estava disposto a fazer o gosto do imperador, afinal, Jing não levara em consideração seu desejo quando decidiu dar um baile em sua homenagem, então dessa vez ele o empurraria para baixo e lhe oferecera uma foda dura.

Fazendo uso de algumas técnicas de imobilização e combate (que aprendera com o próprio Jing) Cang virou o corpo colocando o imperador abaixo de si e abriu aquele par de coxas pálidas ao máximo que podia.

— Aiyo! Xiao Cang devagar, não sou tão flexível como você!

— O que é uma pena, com sua aparência de boneca de porcelana, você não deveria ser tão duro.

Estupefato Jing exibiu uma careta, mas logo a desfez enfeitando seu belo rosto com notas de desdém.

— Cang, Cang eu não fui feito para ser fodido e sim para foder, seu cuzinho bem-educado é prova disso.

— Tão vulgar! Que tipo de educação você recebeu no palácio real, Sua Majestade?

— Vai dizer que não sou bem versado em oratória, política, artes marciais e toda sorte de arte erótica? Apenas não preciso me manter polido na sua frente. Entre marido e mulher qualquer coisa pode ser dita, não?

— Já que é assim também não vou me conter, minha bela esposa.

O marquês segurou aquela cintura fina puxando mais para si já com o órgão quente e ereto posicionado na pequena e rosada abertura forçando impiedosamente para dentro.

As longas unhas chegaram a quase rasgar os lençóis de excelente qualidade tecidos na casa real. A expressão de dor e prazer misturados naquele rosto sublime era tão erótica que Lu Cang cerrou os próprios olhos temendo se derramar apenas por ter tal estímulo visual. Jing era um exímio amante quando estava por cima, mas quando era empurrado para baixo era mais excitante do que a mais renomada prostituta. Totalmente permissivo, devasso, lascivo, libertino, lúbrico...

O som da sua voz em gemidos estrangulados, misturados ao som do choque de seus quadris era como uma melodia harmoniosa que fazia Cang desejar ir mais fundo e mais rápido.

O interior de Jing era suave e cálido e a habilidade de controlar o próprio corpo deixava o “inexperiente” Lord Lu em desvantagem, Jing contraía e relaxava suas paredes internas dando a Cang a sensação de estar sendo sugado para dentro.

— Ah! Ceus! C-com você faz isso?

Não houve resposta, porém o movimento sensual foi executado maliciosamente repetidas vezes acompanhado pelo arquejo sonoro cada vez mais alto e sugestivo. Sob a luz da manhã a pele como jade branca salpicada por gotículas de suor cintilava e criava um contraste absurdamente lindo com os lençóis negros de cetim. Por mais que Cang desejasse ser duro com ele, era impotente contra a beleza daquele homem, e a contragosto fechou os dedos ao redor da espada em riste tocando-o para forçá-lo a se derramar primeiro, pois ele, Cang, já estava em seu limite.

Usualmente, Jing adiaria ao máximo o prazer, mas excepcionalmente hoje havia outros prazeres que ele queria oferecer ao amante e só por isso agiu de modo submisso deitando seu deleite nas mãos de Cang ao mesmo tempo em que sentia em seu íntimo uma explosão quente e úmida.

Exausto, Cang desabou sobre um receptivo Jing que o acolheu em seus braços e lhe acalentou afagando seus cabelos, achegando adormeceu o peito do imperador.

O segundo despertar não foi menos caloso do que o primeiro. Em dez anos de relacionamento íntimo, Lu Cang jamais se acostumara ao choque de acordar ao lado daquela beleza masculina capaz de fazer cair cidades e ruir estados.

O sorriso bobo e apaixonado suaviza a habitual expressão madura, solene e selvagem que o discreto Lord Lu ostentava.

— O sol já está alto, o que acha de deixarmos o leito? Venha levante-se dessa cama, tenho um presente para você — ditou um animado Jing.

— Achei que o baile, a noite de amor e você esta manhã eram os meus presentes.

— Eram também, mas há algo que eu planejo dar a você há muito tempo, mas só consegui isso agora. Mas antes precisamos nos limpar adequadamente.

O banho na tina foi rápido, mesmo porque com a demora dos amantes a água esfriou, mas foi melhor assim, cansados e famintos o banho frio os ajudou a não cair na tentação de se entregar novamente ao prazer luxurioso um com o outro pelo resto da manhã.

De pé, já devidamente vestidos, exatamente da mesma altura, o corpo esbelto, bem delineado, pálido de encanto surreal do Imperador Jing envolvia em seu aperto o corpo musculoso, definido, másculo e de uma cor bonita e apetitosa de Lu Cang.

— Eu sei que eu nunca digo isso, é meu mal ser um pouco orgulhoso...

— Um pouco? — Cang perguntou com ironia e ergueu uma sobrancelha em desconfiança.

— Xiao Cang! Já é difícil admitir com palavras. Por favor, deixe-me continuar, sim?

— Então diga.

— Eu... Amo... Você… — falou pausadamente cada palavra olhando nos olhos de Lu Cang. — Eu amo você. Só você. Eu nunca quis dividir você com outra pessoa, eu sempre te desejei apenas para mim, mas não vou negar que não doeu em mim aquele seu discurso deplorável sobre ser enterrado ao lado dos seus irmãos para que os descendentes deles arrancassem as ervas daninhas de seu túmulo. Ainda assim, eu não estava disposto a abrir mão de você. Eu conheço seu coração mole, você nunca usaria uma mulher apenas para ter sua descendência. E se escolhesse a mãe dos seus filhos por amor seria o meu fim, você viveria apenas para sua esposa e filhos e me deixaria. Eu não suportaria ser rejeitado. Eu a mataria, mataria seus filhos e então você me odiaria verdadeiramente, em todos os cenários eu perderia você. — suspirou e então acariciando o rosto de Lu Cang continuou: — Quando eu me entreguei a você pela primeira vez eu queria dissuadi-lo dessa ideia, eu queria que você se contestasse comigo, apenas comigo, mas quando eu disse que apenas eu poderia ajudá-lo a conseguir isso, eu não menti. Ponderei bastante sobre quais meios usar já que eu não poderia de fato dar à luz um filho seu e tampouco poderia encher seu ventre, por mais que adore tentar. — Riu — Mesmo agora estou inseguro, mas já tomei minha decisão e não há como voltar atrás...Você quer isso e eu sou o único que pode te dar, de fato eu não posso encher seu ventre, mas posso encher seus braços.

— O que quer dizer com isso?

— Apenas venha comigo.

— Para onde? Espere, ainda estou faminto! Não vamos ao menos primeiro comer alguma coisa?

Os protestos caíram em ouvidos surdos. Alegremente o Imperador ganhava os corredores em direção a um bem cuidado jardim onde uma serva bem jovem acalentava um pequeno em seus braços. Mil pensamentos riscaram a mente de Lu Cang, mas ele não ousaria tecer qualquer teoria até que Jing fizesse o próximo movimento.

A jovem vendo os senhores, se curvou em reverência entregando a criança para o Imperador.

— Então? Não é adorável?

— Essa criança é sua?

— Não, mas será como se fosse, uma vez que é o filho do meu marido.

— Hã?

— Essa criança é sua, mas também tem meu sangue já que mãe dela é Xue YuJie.

— Mas como???

— Quer mesmo que eu te conte como ele foi feito?

— Mas foi apenas uma vez, eu me deitei com ela apenas uma vez no ano passado!

— Como eu estava dizendo Xiao Cang, eu passei um bom tempo traçando meios para ajudá-lo a ter seu filho, procurei por um bom tempo por uma mulher que pudesse agradá-lo ao ponto de você sentir desejo de abraçá-la e foi então que eu reencontrei minha mèimei. Eu sabia que você iria desejar se deitar com ela, principalmente porque ela o faria se lembrar de mim, e então aconteceu como eu previ e agora você tem um filho e eu um sobrinho.

— Onde está Xue YuJie.

— Morta.

— Você... Você?

— Não! Eu não a matei. Ela morreria de qualquer modo... Quando eu a reencontrei ela estava trancafiada esperando a execução por tentar envenenar o próprio marido. Eu persuadi Xiao Cheng a deixá-la viver por mais um ano. Depois daquela noite ela foi levada por minha guarda a uma casa afastada no interior. Se ela não tivesse conseguido na primeira noite então teríamos outros três meses para tentar, mas quis os deuses que uma única vez fosse o suficiente. Os últimos dias de vida de Jie-er foram felizes ao lado de sua criança. Ao findar o prazo eu a entreguei ao marido como combinado.

— Por quê? Por que não tentou ajudá-la? Era sua irmã!

— As coisas não são tão simples, eu só pude prorrogar a sua vida e dar a ela a felicidade de deixar para trás seu sangue e de passar seus últimos dias confortável na companhia do pequeno. A propósito, Jie-er não deu nome a criança, como deseja chamar seu filho?

— Meu filho? — Cang perguntou ainda em choque. Olhou para o bebê gordinho e rosado que estava anilhando brincando com uma mecha de cabelo de Jing. E, abobalhado, afirmou: — Parece que ele gosta de você.

— Talvez porque eu lembre a mãe dele. Quer segurá-lo?

Cang olhou admirado como Jing era jeitoso com o pequeno, o olhar terno que ele dirigia ao pequeno era o mesmo que às vezes ele lhe administrava quando não estava na cama, um olhar amoroso. O pequeno sorria e dava gritinhos tentando abocanhar a mecha enroscada em sua mão, mas Jing gentilmente o impedia sorrindo e brincando com o bebê de forma tão paternal que fazia Cang duvidar que esse era mesmo o Imperador Jing Zong.

— Você leva jeito com crianças.

— Não é bem jeito, é apenas prática, eu tenho doze crianças, lembra?

— Não eram treze, você não disse treze mais cedo?

— Se você permitir que eu cuide do seu filho como se também fosse meu, então serão treze.

— É isso que você quer?

— Eu quero você feliz. Eu disse que não lhe deixaria em perda, agora você não está mais, tem um filho com seu sangue, e por que ainda está com essa cara?

— Eu, eu... Você, você foi tão longe por mim?

— Você é idiota? Não tenho eu feito tudo por você? Até mesmo me ajoelhar e implorar para você ficar ao meu lado eu já não fiz? Eu não dei meu corpo a você? Eu não uso um anel com seu nome? Eu não tenho me esforçado para ficar o máximo de tempo ao seu lado? Por que ainda duvida do meu amor?

— Eu sou um idiota...

— É sim, um idiota estúpido que não percebe o quanto é precioso para mim. Mas eu também sou um idiota estúpido que jurou a si mesmo nunca repetir o erro mais comum entre os poderosos e nunca entregar o coração a ninguém e ainda assim me apaixonei perdidamente por um bandidinho de segunda classe. — Respirou fundo e abriu um sorriso gentil e resignado — Então, acho que não há o que fazer, nós nos merecemos.

Cang gargalhou concordando sobre a estupidez, a teimosia e o fato de ambos serem fodidamente apaixonados um pelo outro.

— Se eu pudesse dar seu nome para ele, Yuan é um belo nome...

— E qual seria o primeiro nome?

— Shan.

— Shan? Deus está conosco? Sim, é bom nome, então assim será: Lu Yuan Shan.

— Um sobrenome duplo? Não acha que isso causaria escândalo?

— E quem ousaria falar algo na nossa frente? Nosso amor não é o maior segredo público* de toda Datong? Um assunto a mais ou a menos para a língua do povo não nos custaria nada.

Jing sorriu radiante passando o pequeno para os braços de Cang que desajeitadamente pegou seu filho sentindo uma emoção inominável queimar no peito, arder nos olhos e descer em formas de lágrimas.

Sentados sobre uma esteira estendida na grama do jardim interno da mansão, ao lado de uma cesta com guloseimas requintadas, um pequeno inocente sorridente e feliz nos braços do famoso ex-bandido das montanhas ainda segurava firmemente o cabelo macio e brilhante do homem mais poderoso de Datong impedindo Jing de se afastar de Cang. Na simplicidade do harmonioso silêncio, Cang recostou a cabeça no ombro Jing trazendo o pequeno Shan para o peito, com um sorriso sutil de quem conquistara o topo de uma vida sem arrependimentos. Àquela cena apenas uma palavra vinha à caótica mente de Lu Cang: Família. Sua família finalmente completa. Ele nunca mais estaria sozinho.