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Proibida Pra Mim

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A vida é um mistério para a maioria dos seres: humanos, demônios ou vampiros, mas não é porque eu posso ter vislumbres de futuros alheios que eu não seja acometido pela ansiedade e a angústia da incerteza. Agora, por exemplo, já há anos e anos, não consigo tirá-la de meus pensamentos, mesmo não tendo esperanças de conquistá-la.

Ainda me lembro de quando nos conhecemos. Aquele momento teve lá a sua graça. Com uma inesquecível expressão de espanto e curiosidade, ela tocou meu rosto, minha testa e meus cabelos. Desde que voltamos de Pylea, seus olhos castanhos e seu jeitinho desastrado e um pouco lunático sempre tragaram meus pensamentos como o futuro de alguém cantando que toma minha mente sem aviso. Queria poder dizer que isso é um sinal do destino, mas não sei.

Quando ela estava se adaptando a viver novamente em seu mundo natal e forrava as paredes de seu quarto com contas, ela viu no Angel algo especial. Afinal, ele era o seu "moço bonito que a salvou a cavalo". Por que todas veem no Angel o seu príncipe? Qual é o segredo dos vampiros afinal de contas? E quando ela mal o havia esquecido, Gun e Wesley emendaram uma troca de farpas eterna e olhares atravessados e hoje estão a um passo de protagonizarem uma tragédia por ciúmes.

Nunca houve espaço para mim, para meu amor. Se eu entrasse nesse fogo cruzado, com certeza cairia morto no maior estilo “Bang Bang” de Nancy Sinatra. Ah, ser o único ser empático desse hotel é uma grande desvantagem nessas horas. A crueldade que a disputa entre os dois emana esgota todas as minhas forças. O único respiro que minha psique tem, aqui nesse hotel, é a tranquilidade que flui de seu canto despreocupado. Tendo lido tantas almas ao longo da minha vida, posso afirmar que nenhuma terá um brilho igual ao dela.

E se eu decidisse enfrentar meus medos e desafiasse Wesley e Gun? E se contasse, ou melhor, cantasse para ela tudo o que sinto? Será que ela aceitaria fugir em segredo para bem longe daqui? Oh, Deus! Se restava alguma dúvida, aqui está a prova que eu sou mesmo um romântico irremediável! Ah, mas se realmente pudesse, se os Poderes-que-Valem me ajudassem, a levaria para bem longe desse mundo louco, longe de L.A. Consigo até sentir o frescor da brisa batendo em nossos rostos enquanto felicidade preenche nossos corações ao cantarmos nossa canção junto com o rádio do carro.

Ora, Lorne, Acorde! Não há como. Eu não posso, ela não pode, ninguém aqui nesse hotel pode se dar ao luxo de abrir mão da vida que levamos. Já estou até ouvindo o discurso do Angel sobre "termos uma missão". Claro, lutar contra monstros, lutar contra o mal, lutar, lutar e morrer lutando. Eu sou um artista, não um herói. Já li milhares de destinos e tenho medo do meu. Por isso mesmo acho que vou embora e o que mais me dói é que terei que ir sozinho. Ah, Fred, minha doce Fred...

- Oh, Honey...Você está perdidamente apaixonado por Winifred Burkle! – disse enfim seu duplo de dentro do espelho. O Lorne de fora do espelho esboçou um sorriso amarelado e abaixou a cabeça pesaroso, quando seu duplo quebrou o silêncio: - Diga a ela tudo o que sente. Esta é a sua chance! – E desapareceu com uma última piscadela.

Alguém bateu à porta. Lorne levantou-se em um susto e após alguns segundos, já recomposto, pediu que a pessoa entrasse.

- Ah, Lorne! - Ele não acreditava em seus olhos. Fred estava parada diante dele como se tivesse sido enviada por alguma força superior – Preciso de um conselho seu. - Havia quase uma súplica em seus olhos.

Ele sentiu vontade de sorrir. E por que se negaria aquele sorriso?

- Mas é claro, minha doce Fred.